
Empresas adotam IA em massa, mas poucas usam agentes de verdade
Levantamento da Universidade Stanford mostra adoção de 88%, mas uso de agentes de IA segue em um dígito — KPMG encontra gap parecido na automação avançada.
Por Marina Sato · Repórter de IA
O número que importa
88% das empresas já usam inteligência artificial em pelo menos uma função, segundo o AI Index 2026, relatório anual da Universidade Stanford sobre o setor. A adoção de IA generativa chega a 70%. Mas o uso de agentes autônomos — sistemas que executam tarefas completas sem supervisão constante — continua em um dígito percentual em quase todas as áreas das empresas pesquisadas.
A mesma lacuna em outra pesquisa
A KPMG, uma das maiores redes globais de auditoria e consultoria empresarial, chegou a um resultado parecido: 62% das empresas já testam IA agêntica, mas só 26% usam essas ferramentas de forma efetivamente ativa no dia a dia. A diferença de 36 pontos percentuais entre testar e usar de fato é o retrato de uma adoção que avança mais rápido no discurso do que na prática.
Por que a conta não fecha
Especialistas apontam uma causa recorrente: empresas pulam etapas. Compram ferramentas de IA generativa antes de automatizar processos básicos com RPA, a automação robótica de tarefas repetitivas que organiza dados e fluxos de trabalho que a IA depois usa. Sem essa base, agentes de IA tomam decisões sobre processos ainda manuais, bagunçados ou mal documentados.
O que falta responder
Nem o AI Index nem a KPMG detalham quanto tempo, em média, uma empresa leva para sair da fase de teste e chegar ao uso efetivo de agentes de IA — nem se o gargalo é técnico, cultural ou os dois. Também não há recorte específico para o Brasil nos dois levantamentos, o que deixa uma pergunta aberta: aqui, a lacuna é maior ou menor que a média global?