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Mercado19 de set. de 2026, 11:01

Emulate: ex-DeepMind capta US$ 700 mi e vale R$ 19,1 bi em 1 mês

Fundada há pouco mais de um mês por três ex-pesquisadores da Google DeepMind, a britânica Emulate negocia uma rodada de até US$ 700 milhões que a avaliaria em US$ 3,7 bilhões (R$ 19,1 bilhões).

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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R$ 19,1 bilhões em pouco mais de um mês

US$ 3,7 bilhões. É a avaliação que a Emulate, startup britânica de inteligência artificial fundada em agosto de 2026, negocia com investidores menos de dois meses depois de sair do papel. Em reais, o valuation gira em torno de R$ 19,1 bilhões — patamar que normalmente leva anos para ser alcançado, não semanas. A empresa está em negociações avançadas para captar até US$ 700 milhões (cerca de R$ 3,6 bilhões) em uma rodada liderada pela Index Ventures, gestora de venture capital britânica, e pela Lightspeed Venture Partners, fundo de capital de risco do Vale do Silício, com participação da Creandum. Os termos ainda não foram fechados e podem mudar.

Quem são os fundadores e o que a empresa faz

A Emulate nasceu das mãos de Jack Parker-Holder, Matthew McGill e Philip Ball, três ex-pesquisadores da Google DeepMind que atuaram no desenvolvimento do Genie, modelo de "mundo" da própria DeepMind capaz de gerar ambientes 3D interativos a partir de comandos de texto. Parker-Holder foi um dos pesquisadores principais do Genie 3. Na nova empresa, o trio segue apostando em "modelos de mundo": sistemas de IA que, diferentemente dos modelos de linguagem que preveem texto, tentam simular e prever como ambientes físicos reagem a ações — tecnologia com aplicação potencial em robótica e simulação.

Quem ganha e quem perde nessa corrida

A Emulate não é um caso isolado: é o terceiro "neo-lab" britânico a se desprender da DeepMind em 2026 captando centenas de milhões de dólares, atrás da Ineffable Intelligence (US$ 1 bilhão captado, avaliada em US$ 5 bilhões) e da Recursive Superintelligence (US$ 600 milhões, avaliada em US$ 4 bilhões). Quem ganha é claro: os fundadores, que trocam salário de pesquisador por fatias de empresas bilionárias, e fundos como Index e Lightspeed, que garantem posição early-stage em uma categoria — modelos de mundo — vista como próxima fronteira depois dos LLMs. Quem perde, ao menos por ora, é a própria Google DeepMind, que vê talentos-chave do time de modelos de mundo deixarem a companhia para replicar externamente know-how construído internamente, num movimento que já preocupa big techs dispostas a reter pesquisadores de ponta em meio à explosão de capital disponível para spin-offs de IA.

Há divergência entre fontes sobre o valuation exato: enquanto o Financial Times aponta pré-money de US$ 3,7 bilhões, a Bloomberg cita cifra próxima a US$ 3 bilhões antes da injeção do novo aporte. De qualquer forma, o valor final dependerá do fechamento da rodada, ainda em negociação.

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