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Ciência19 de ago. de 2026, 10:45

Energia escura pode estar mudando com o tempo, sugere maior mapa do Universo

Dados do DESI, que mapeou 47 milhões de galáxias, reforçam a hipótese de que a energia escura não é constante — mas o sinal de 4,2 sigma ainda não é considerado uma descoberta confirmada pela física.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: imagine mapear 11 bilhões de anos de história do cosmos

Pra ter uma ideia do tamanho do esforço: o Dark Energy Spectroscopic Instrument (DESI), instalado no Kitt Peak National Observatory, no Arizona (EUA), passou cinco anos catalogando 47 milhões de galáxias e quasares — mais que o dobro de tudo que existia em levantamentos anteriores somados. É como fotografar cada grão de areia relevante de uma praia que se estende por 11 bilhões de anos-luz de profundidade no tempo. E é esse mapa gigantesco que está balançando uma das ideias mais firmes da cosmologia moderna: a de que a energia escura é constante.

Foto interna do DESI. (Imagem: Reprodução)

O que é confirmado

O DESI é real, os dados são públicos e o resultado já foi divulgado oficialmente pela colaboração internacional que opera o instrumento (ligado ao Lawrence Berkeley National Laboratory, nos EUA). Comparando como as galáxias se agrupavam no universo primitivo com sua distribuição atual, os cientistas conseguiram rastrear o comportamento da energia escura — a força misteriosa responsável por acelerar a expansão do Universo — ao longo de bilhões de anos.

Foto externa do DESI. (Imagem: Reprodução)

Quando os dados do DESI são combinados com outras medições independentes (radiação cósmica de fundo, supernovas distantes e lentes gravitacionais fracas), a preferência por um modelo de energia escura dinâmica, que muda de intensidade com o tempo, em vez de uma constante fixa, chega a 4,2 sigma de significância estatística. Isso é confirmado: o sinal está lá, é consistente entre diferentes combinações de dados, e vem se fortalecendo desde o primeiro anúncio da colaboração, em 2024.

O que ainda é hipótese

Aqui mora o "mas". Na física, o padrão-ouro pra declarar uma descoberta é 5 sigma — o equivalente a uma chance de erro estatístico de cerca de 1 em 3,5 milhões. Os 4,2 sigma do DESI ficam abaixo disso, então não dá pra dizer que o modelo padrão (Lambda-CDM, com energia escura constante) foi derrubado. É um indício forte, não um veredito. A ideia de que a energia escura estaria perdendo força ao longo do tempo cósmico — e não permanecendo estável como prevê a constante cosmológica de Einstein — segue sendo debatida por cosmólogos, com artigos técnicos publicados ao longo de 2026 discutindo diferentes formas de interpretar esses parâmetros sem cravar uma conclusão definitiva.

Por que isso importa

Se a energia escura realmente evolui, o destino do Universo — hoje descrito como uma expansão acelerada rumo a um "grande congelamento" — pode precisar ser reescrito. A própria colaboração DESI já avisou: resultados mais conclusivos, com o conjunto completo de dados do levantamento, devem sair só a partir de 2027. Até lá, a reviravolta segue sendo isso: uma pista consistente, forte, mas ainda sem selo de descoberta.

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