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CiênciaMercado24 de ago. de 2026, 19:21

Energia limpa bate recorde nos EUA mesmo sob pressão de Trump

Apesar dos cortes de incentivos e da hostilidade declarada do governo Trump à energia renovável, a capacidade instalada nos EUA deve crescer um recorde de 45 GW em 2026, segundo a S&P Global.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Pra escala humana: 45 gigawatts é energia suficiente para abastecer, de uma só vez, dezenas de milhões de residências americanas. É esse o volume de capacidade limpa que os Estados Unidos devem adicionar em 2026 — um recorde histórico — mesmo com o governo Donald Trump tentando, de forma explícita, frear o setor.

O que está confirmado

Segundo levantamento da S&P Global Energy, amplamente citado por veículos que acompanham o setor elétrico americano, a capacidade de energia limpa instalada nos EUA deve crescer um recorde de 45 GW neste ano — cerca de 25% acima do pico anterior, registrado em 2024. Dentro desse total, a energia solar lidera com folga, respondendo por 51% das adições planejadas; o armazenamento em baterias vem em seguida, com 28%; e a eólica fecha a conta com 14%. A previsão da S&P Global também aponta que a capacidade solar deve crescer perto de um terço e a eólica quase 50% neste ciclo, com o setor solar mirando outro recorde em 2027.

O pano de fundo é a demanda elétrica em disparada, puxada sobretudo pelo consumo de data centers de inteligência artificial, que pressiona concessionárias e desenvolvedores a colocar capacidade nova na rede o mais rápido possível — e hoje, segundo analistas do setor, solar e baterias são as tecnologias mais rápidas e baratas de instalar em escala.

O que o governo Trump fez, de fato

Aqui não é hipótese: desde que voltou à Casa Branca, Trump pausou novos arrendamentos e licenciamentos de projetos eólicos em terras e águas federais, tentou barrar especificamente a eólica offshore e apoiou a aprovação, pelo Congresso, de um pacote orçamentário que reduziu drasticamente os créditos fiscais para energia limpa criados pela Lei de Redução da Inflação (IRA). Prazos de qualificação para esses créditos, inclusive, levaram desenvolvedores a acelerar o início de obras antes do corte, o que também ajuda a explicar parte do pico de 2026.

O que ainda é incerto

O que não dá para cravar é até que ponto esse ritmo se sustenta depois que o efeito da corrida contra o prazo dos incentivos passar. Analistas dizem que a demanda estrutural de data centers deve continuar sustentando investimentos, mas o ambiente regulatório mais hostil — com menos crédito fiscal e aprovações mais lentas — é um fator de risco real para os anos seguintes, especialmente para a eólica, mais afetada pelas restrições federais do que a solar.

Por que importa

O episódio mostra como a economia da energia limpa hoje depende menos de subsídio político e mais de custo e velocidade de instalação frente a uma demanda elétrica que cresce mais rápido do que a rede consegue acompanhar.

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