tech & talk
GamesSegurança15 de out. de 2026, 10:19

Entenda a explosão de jailbreaks e pirataria que atinge o PS5

Dois exploits liberados em setembro abriram caminho para apps piratas, acesso ao Xbox Game Pass e até emulação em PC — mas o preço pode ser o banimento total do console.

Por Théo Ramos · Repórter de Games

Compartilhar

O PS5 virou alvo fácil para hackers

Se você tem um PS5 e andou ouvindo falar de jogos "de graça" circulando por aí, não é boato. Desde o fim de setembro, o console da Sony enfrenta uma onda sem precedentes de jailbreaks — o processo que desbloqueia o sistema para rodar código não autorizado, driblando as travas da PlayStation Store. Dois exploits, batizados de PS5SX2 e Relapse, apareceram no mesmo período no Reddit e no GitHub (plataforma de hospedagem de código usada por desenvolvedores), e abriram caminho para uma enxurrada de apps piratas em cima deles.

Como os exploits funcionam

O Relapse ataca uma falha no navegador interno do PS5 para acessar o núcleo do sistema e instalar aplicativos fora da loja oficial. O problema para quem pensa em usar é o prazo de validade: a brecha só funciona até o firmware 13.60, e a Sony já travou o caminho nas versões 14.00 e 14.10. Já o PS5SX2, hoje na versão 2.0, permite rodar jogos de PlayStation 2 e PlayStation 3 direto no console via arquivos ISO, com resolução até 6 vezes maior que a original.

Em cima dessas brechas, surgiram outras ferramentas. O Overdrive virou uma espécie de loja pirata dentro do próprio PS5, chegando a reunir mais de 1.600 jogos e DLCs de PS4 e PS5 sem custo — até a Sony derrubar a operação. O PSXBOX foi além: deu acesso ao Xbox Cloud Gaming, serviço de streaming de jogos da Microsoft equivalente ao Game Pass, rodando dentro de um PS5 jailbroken em até 4K. E no sentido inverso, o KytyPS5, emulador de código aberto escrito em C++, já consegue rodar exclusivos de PS5 — caso de Marvel's Wolverine — em computadores comuns.

O preço de tentar escapar da loja oficial

Antes de sair procurando tutorial, vale frisar: isso não é um atalho de graça. Jailbreak não sobrevive a um reboot — é preciso repetir o processo a cada vez que liga o console —, e o acesso à PlayStation Network fica bloqueado assim que o sistema é violado, o que mata o multiplayer e o acesso à loja. Pior: há relatos de consoles e contas banidos permanentemente pela Sony depois de detectado o hack, derrubando toda a biblioteca comprada.

É aqui que a conversa esbarra no consumidor brasileiro. A Justiça já condenou a Sony mais de uma vez por banir PS5 de forma unilateral, incluindo decisões obrigando a reativação do console e pagamento de indenização por danos morais — mostrando que a linha entre punir pirataria e prejudicar quem comprou o produto não é tão simples assim.

Por que isso importa pra quem joga

A gratuidade tem gosto amargo: perder acesso à PSN, ficar preso em versões antigas de firmware (inclusive sem jogar lançamentos que exigem atualização, como é o caso de GTA 6) e correr risco de banimento definitivo não parecem trocas justas por uma lista de jogos grátis. A pressão, no fim, é sobre a Sony: quanto mais rápido a empresa lançar patches, mais caro fica brincar com jailbreak — e quanto mais caro o catálogo oficial, mais gente vai testar a sorte do lado de fora da loja.

ps5jailbreakpiratariasonyxbox game pass
Compartilhar