
Startup brasileira vira primeiro unicórnio de IA da América Latina e bate US$ 1,2 bi
Startup brasileira que usa IA para tocar processos judiciais capta mais de US$ 100 milhões em Série B liderada pelo Founders Fund e atinge valuation de US$ 1,2 bilhão, com Bradesco e Nubank na carteira de clientes.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 1,2 bilhão é o número que coloca a Enter no mapa
A Enter, startup brasileira que aplica inteligência artificial para tocar processos judiciais, fechou uma Série B de mais de US$ 100 milhões que elevou seu valuation a US$ 1,2 bilhão. O aporte, liderado pelo Founders Fund, teve participação de Sequoia Capital, Ribbit Capital, ONEVC, Atlantico e Kaszek. Com isso, a companhia se torna o primeiro unicórnio de IA da América Latina.
Quem são os fundadores e o que a Enter vende
Fundada há cerca de dois anos e meio por Mateus Costa-Ribeiro (CEO), Henrique Vaz (CPO) e Mike Mac-Vicar (CTO), a Enter construiu a plataforma EnterOS, que usa agentes de IA para analisar processos judiciais, contratos, áudios, vídeos e extratos, além de detectar fraudes documentais, mapear jurisprudência e identificar padrões de litigância abusiva.
O salto desde a Série A
O valuation de US$ 1,2 bilhão marca um avanço expressivo frente à rodada anterior: a receita da Enter cresceu mais de 10 vezes desde a Série A, e a base de clientes triplicou no período. Hoje a companhia processa mais de 300 mil processos judiciais por ano em sua plataforma, atendendo mais de 40 grandes companhias — entre elas Bradesco, Nubank, Mercado Livre, Airbnb, LATAM e Azul.
Quem ganha e quem fica de olho
Para o Founders Fund e a Sequoia, a aposta segue a tese de que o mercado jurídico brasileiro — pesado em volume de litígios — é terreno fértil para automação via IA, com margens que crescem mais rápido que o headcount. Para bancos e companhias aéreas que já usam a EnterOS, o ganho é reduzir custo por processo em um país que lidera rankings globais de litigiosidade. Do outro lado, o aporte acende sinal de alerta para escritórios de advocacia tradicionais e legaltechs menores, que agora competem com uma rival capitalizada por fundos que também apostaram em SpaceX e Palantir.
Resta acompanhar se a receita recorrente sustenta o múltiplo implícito de mais de 10 vezes a rodada anterior — e se o modelo escala para fora do Brasil, ambição que os fundadores já declaram publicamente.