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Mercado23 de set. de 2026, 20:55

Enveda capta US$ 311 mi e dobra valuation para US$ 2 bi com drogas de IA

A biotech americana Enveda, que usa inteligência artificial para descobrir fármacos a partir de plantas e microrganismos, fechou um Series E de US$ 311 milhões liderado pela Catalio Capital Management. A rodada dobrou a avaliação da empresa em 12 meses.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O número que importa

US$ 311 milhões. É o tamanho do Series E que a Enveda, biotech americana que usa IA para descobrir fármacos a partir de compostos de plantas e microrganismos, acabou de fechar. O aporte dobrou a avaliação da empresa em relação aos últimos 12 meses, para US$ 2 bilhões — um dos múltiplos mais agressivos do setor de descoberta de fármacos neste ciclo.

A rodada foi liderada pela Catalio Capital Management, com entrada de novos investidores como Durable Capital Partners, ICONIQ, Lightspeed, Surveyor Capital (ligada à Citadel), contas geridas pela T. Rowe Price Investment Management, Digitalis Ventures, um fundo soberano e o Alderline Group. Do lado dos veteranos, seguem apostando Baillie Gifford, Premji Invest e Lux Capital, entre outros. Com o aporte, a Enveda já levantou mais de US$ 845 milhões desde a fundação, em 2019.

Quem ganha

Quem sai na frente é Viswa Colluru, fundador e CEO da Enveda e ex-funcionário da Recursion Pharmaceuticals — outra biotech apostando fichas pesadas em IA para descoberta de moléculas. A tese da empresa é simples de explicar e difícil de executar: em vez de sintetizar compostos do zero em laboratório, a Enveda usa modelos de IA para mapear e otimizar moléculas já presentes na natureza, buscando acelerar o caminho até o ensaio clínico.

O dinheiro tem destino definido. A empresa vai usar os recursos para avançar os três candidatos que já estão em fase clínica, levar novos medicamentos para condições inflamatórias e metabólicas a testes em humanos, e expandir a plataforma de IA. No pipeline atual, dois programas se destacam: um tratamento para uma condição grave de pele e uma droga para ajudar pacientes a manter a perda de peso depois de pararem de tomar GLP-1s — a classe de medicamentos que virou o maior fenômeno da indústria farmacêutica na década.

Quem ainda precisa provar

O detalhe que nenhum press release vai destacar: até hoje, nenhuma droga descoberta por IA recebeu aprovação da FDA americana. A Enveda está no grupo de empresas que tenta ser a primeira a converter promessa computacional em remédio aprovado. É esse gap entre valuation bilionária e validação regulatória que sustenta o ceticismo de parte do mercado sobre biotechs de IA, mesmo com rodadas desse tamanho.

Para o investidor brasileiro que acompanha o setor de healthtech à distância, o caso Enveda é um termômetro: mostra que capital ainda flui pesado para IA aplicada a descoberta de fármacos, mas também que a régua de prova de conceito clínica segue implacável.

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