EPA destina US$ 12 milhões para proteger água de ataques cibernéticos
Dez cidades americanas recebem verba federal contra ameaças digitais a sistemas de água potável, enquanto o Texas ganha programa-piloto próprio.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Quanto e para onde vai o dinheiro
A EPA, agência ambiental do governo dos Estados Unidos, anunciou quase US$ 12 milhões em subsídios para proteger sistemas de abastecimento de água de médio e grande porte contra ataques cibernéticos e desastres naturais. Dez operadores foram contemplados: Anderson (Califórnia), Bay City (Texas), Bloomington (Indiana), Coffeyville (Kansas), Hemet (Califórnia), Lake City (Flórida), Orange City (Flórida), San Diego (Califórnia), a California-American Water Company, que atende Sacramento, e a Denver Water, no Colorado.
Por que o Texas ganhou tratamento à parte
Separado desse pacote, o Texas lançou em 31 de agosto o Project Watershed 250, parceria entre a Casa Branca e o Texas Cyber Command, comando de ciberdefesa do estado sediado no campus da UTSA em San Antonio. O programa-piloto, com duração prevista de seis meses e restrito ao território texano por enquanto, conecta operadoras de água a recursos de defesa cibernética oferecidos de graça por empresas como Microsoft, Palo Alto Networks e Dragos, especializada em segurança de infraestrutura industrial.
Por que isso importa para quem abre a torneira
Sistemas de água costumam rodar com equipamentos industriais antigos, muitas vezes conectados à internet sem os mesmos cuidados de segurança de uma rede corporativa — combinação que a própria EPA descreve como risco crescente diante de ataques cada vez mais sofisticados. Municípios menores, em especial, têm menos orçamento para contratar proteção cibernética dedicada, o que torna verbas federais como essa um dos poucos caminhos viáveis para fechar essa lacuna.
O que fica de fora
O anúncio não cobre a rede de distribuição de água de cidades médias fora dessa lista nem esclarece se outros estados vão ganhar programas-piloto como o do Texas. Para quem administra sistemas de água em cidades brasileiras — que também dependem cada vez mais de sensores e automação —, o episódio funciona como lembrete de que ciberataque a infraestrutura básica já não é hipótese distante, mas linha de orçamento federal nos Estados Unidos.