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Smart Cities15 de set. de 2026, 15:50

EPA dos EUA revoga limite de carbono de usinas — e prefeitos temem a conta

A agência ambiental americana formalizou o fim dos limites federais de CO2 para usinas a carvão e gás, medida que a própria Casa Branca estima liberar 123 milhões de toneladas extras de CO2 por ano até 2035.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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O que caiu e quando

Na segunda-feira, dia 14 de setembro, a EPA (a agência de proteção ambiental dos Estados Unidos, equivalente a um Ibama federal) formalizou a revogação dos limites de emissão de carbono para usinas movidas a carvão, óleo e gás. A regra que caiu, de 2024, obrigava usinas a carvão existentes e novas usinas a gás a controlar 90% da poluição de carbono emitida. A proposta de revogação já vinha desde junho de 2025; agora foi ao ar de vez, pela mão do administrador da EPA, Lee Zeldin, que classificou o pacote como "o maior anúncio desregulatório da história dos EUA" e justificou dizendo que a medida serve para "proteger a energia americana" e "garantir que as pessoas consigam pagar a conta de luz."

Quem calculou o custo — e quem calculou o risco

Aqui mora a parte mais reveladora pra quem cobra transparência de número: a própria EPA estimou que a revogação das diretrizes de emissão e das exigências de captura de carbono deve economizar ao setor elétrico cerca de US$ 1,2 bilhão por ano a partir de 2026 — sem contar outros US$ 120 milhões anuais com o afrouxamento de regras sobre emissão de mercúrio. Do outro lado da conta, o próprio governo americano estimou que, até 2035, a medida vai liberar 123 milhões de toneladas métricas extras de CO2 por ano — o equivalente a colocar mais 28,7 milhões de carros a gasolina rodando.

Redes como a Climate Mayors e a C40 Cities (coalizões de prefeitos americanos e globais voltadas a metas climáticas) e o Sabin Center for Climate Change Law, ligado à Universidade Columbia, alertaram que cidades dependem desses padrões federais pra se proteger de impactos caros e perigosos à infraestrutura e à saúde pública — já que emissões de edifícios e transporte, os dois maiores poluidores urbanos, também são afetadas indiretamente. A advogada sênior do Institute for Policy Integrity, Dena Adler, foi direta: deixar essa poluição sem controle "ignora a Suprema Corte e viola flagrantemente as responsabilidades legais da EPA." Organizações ambientais já prometeram ir à Justiça contra a medida, no mesmo movimento que já questiona o fim do chamado "parecer de periculosidade" (endangerment finding) do governo Trump.

Por que isso importa mesmo daqui

Quem mora longe dos Estados Unidos pode achar que é briga de outro continente, mas emissão de usina não respeita fronteira nem cumpre meta de prefeito nenhum sozinha. Vale a pergunta de sempre: quando o governo federal recua, quem fiscaliza o que sobra? Nos EUA a resposta parece ser judicial, via ações movidas por entidades ambientais e coalizões de cidades. Fica o alerta pra qualquer país — Brasil incluso — que trata meta climática municipal como suficiente sem blindagem na política nacional: metas locais de clima seguem reféns de decisão federal, e a conta de quem paga o preço da poluição raramente é a mesma que assina a revogação.

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