
ESA quer EUA na caça aos portáteis retrô cheios de jogo pirata
A Electronic Software Association pediu ao governo dos EUA que trate handhelds estilo Anbernic, carregados com milhares de jogos não autorizados, como mercados de pirataria. Pra quem compra esses aparelhos baratos, a mira pode significar menos opção e preço mais salgado.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
Um documento, muitos consoles na mira
Se você tem ou já cogitou comprar um daqueles portáteis baratos que prometem "todo o Nintendinho e mais" numa tela só, presta atenção nessa. A Electronic Software Association — ESA, uma das organizações mais importantes da indústria dos jogos eletrônicos, que reúne gigantes como Nintendo, Sony, Microsoft e companhia — protocolou em 6 de outubro um documento no USTR, o escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, órgão que decide políticas de comércio exterior do país, pedindo que o governo americano trate certos portáteis retrô e consoles plug-and-play como mercados de pirataria.
O alvo declarado é claro: dispositivos no estilo da marca chinesa Anbernic, com o modelo RG 55G1 citado nominalmente, além de aparelhos que imitam o visual do Game Boy e do Nintendo 3DS. Segundo a ESA, esses consoles costumam vir com cartões de memória removíveis carregados de "centenas, milhares ou até dezenas de milhares" de cópias não autorizadas de jogos de NES, SNES, PlayStation 1 e outros sistemas clássicos.
"Superfakes" eletrônicos
A linguagem usada pela ESA no documento é pesada: ela chama esses aparelhos de equivalente funcional de "superfakes" — o termo usado pra bolsas e tênis falsificados de altíssima qualidade. Na prática, a entidade argumenta que o apelo comercial desses portáteis está inteiramente ligado ao conteúdo pirateado pré-instalado, e não ao hardware em si. A ESA também citou marketplaces como Eldorado, FunPay, G2A e Voices38, que vendem contas e jogos piratas.
O pedido de fundo é que a USTR inclua esses dispositivos na Notorious Markets List, o relatório anual que o governo americano usa pra apontar mercados e canais associados à pirataria e à venda de produtos falsificados — uma lista que pode travar a circulação comercial de quem entra nela. Além disso, a ESA listou sete ações que gostaria de ver adotadas, incluindo tratar bibliotecas de jogos não autorizadas como prova de pirataria, inspeção de mídia armazenada nos aparelhos, exigência de autorização pra venda, suspensão de vendedores reincidentes e reforço no monitoramento alfandegário.
O que isso significa pra quem já tem (ou quer) um desses
Aqui que a coisa pega pro consumidor comum. Esses portáteis fazem sucesso justamente porque são baratos e vêm "recheados" — é o tipo de produto que virou porta de entrada pra quem quer reviver clássicos sem precisar caçar ROM por fórum ou flashear cartão sozinho. Se o movimento da ESA avançar, o caminho mais provável é esses aparelhos passarem a vir sem biblioteca pré-instalada, ficarem mais caros pra compensar risco jurídico, ou simplesmente sumirem das lojas online que hoje vendem sem muito pudor.
Vale lembrar: a comunidade de retrogaming não é monolítica. Tem gente que só quer jogar barato, e tem quem defenda que emulação em si não é crime — o problema mora na pirataria embutida de fábrica. É esse ponto que a ESA quer judicializar, e é esse ponto que vai definir se o portátil retrô que você via na vitrine continua ali no ano que vem.