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MercadoGadgets21 de ago. de 2026, 14:22

Escassez de RAM derruba produção da Pine64 e ameaça linha Linux até 2027

A fabricante taiwanesa paralisou a produção de notebooks, tablets e celulares Linux depois que módulos eMMC de 8 GB saltaram de US$ 1,50 para US$ 20 em um ano. Estoque dos tablets PineNote e PineTab2 deve durar só mais três meses.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Alta de 13 vezes no preço do eMMC trava a fábrica

Um componente que custava US$ 1,50 há 12 meses. Hoje custa US$ 20. Esse salto de 13 vezes no preço dos módulos eMMC de 8 GB, relatado pelo CEO da Phison, Khein-Seng Pua, é o número que explica por que a Pine64 decidiu parar de produzir notebooks, tablets e celulares baseados em Linux.

A fabricante taiwanesa, conhecida por hardware aberto voltado à comunidade Linux, informou que só volta a fabricar esses dispositivos se os preços de DRAM e eMMC recuarem — e a previsão interna é que isso não aconteça antes de meados de 2027. Na prática, é uma pausa sem data de volta garantida.

Foto: reprodução/tomshardware.com

Quem sente o golpe primeiro

Os mais afetados são o tablet PineNote (com tela e-ink) e o PineTab2, ambos rodando Linux e com teclado destacável que os transforma em notebook. Segundo a própria Pine64, o estoque restante desses dois produtos deve durar cerca de três meses — prazo que pode encurtar ainda mais se a notícia da paralisação disparar uma corrida de compra entre entusiastas.

Já quem sai ileso da crise é a linha de dispositivos baseados em microcontrolador: o smartwatch PineTime, o assistente PineVoice, o ferro de solda Pinecil e a fonte PinePower continuam em produção normal, já que usam componentes diferentes dos que estão em falta.

Efeito cascata na cadeia de memória

O caso da Pine64 é sintoma de um problema maior. A escassez de DRAM e NAND que pressiona toda a cadeia de semicondutores tem sido atribuída à demanda disparada por data centers de inteligência artificial, que absorve capacidade de fabricação que antes ia para eletrônicos de consumo. Pua já alertou que, se o cenário não mudar, o aperto pode tirar do mercado empresas inteiras do setor de eletrônicos de consumo em 2026.

Para a Pine64 — que construiu reputação vendendo hardware barato e aberto a um nicho fiel de desenvolvedores e makers — a conta não fecha mais. Sem margem para absorver um componente que ficou 13 vezes mais caro, a fabricante prefere recuar da linha Linux a repassar o custo para um público historicamente sensível a preço. O sinal de alerta agora é para outras pequenas fabricantes de nicho que dependem da mesma cadeia de memória barata.

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