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IA11 de set. de 2026, 11:14

Escolas percebem que a IA usa a mesma cartilha do boom da programação

Livro da jornalista Natasha Singer, do New York Times, mostra que big techs aplicam hoje na promoção da IA nas salas de aula o mesmo roteiro usado uma década atrás para vender cursos de programação.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Você se lembra de quando toda escola parecia obrigada a ensinar programação, sob a promessa de que "coding" era o passaporte para um emprego dos sonhos? Pois esse roteiro está sendo reciclado agora, com a inteligência artificial no lugar do código.

O mesmo manual, décadas depois

A constatação é da jornalista Natasha Singer, repórter de tecnologia educacional do New York Times, autora do livro "Coding Kids", que documenta como empresas de tecnologia tiveram papel central na promoção do ensino de programação nas escolas americanas ao longo dos últimos 15 anos — oferecendo materiais didáticos e ferramentas frequentemente gratuitas, batizadas de investimento em educação.

Para escrever o livro, Singer entrevistou mais de 100 figuras do setor educacional e da indústria de tecnologia, além de revisar centenas de documentos escolares, governamentais e corporativos. Sua conclusão é direta: um punhado de gigantes usou dinheiro, influência e suas plataformas gigantescas para moldar praticamente cada etapa da cadeia educacional.

Em bom português: a promessa de que toda criança precisava aprender a programar para não "ficar para trás" no mercado de trabalho ajudou a formar não só uma geração de futuros profissionais, mas também uma geração de futuros clientes fiéis aos produtos dessas mesmas empresas.

E agora, a vez da IA

O problema, segundo a autora, é que quando boa parte desses estudantes chegou ao mercado de trabalho, novas tecnologias já haviam colocado em xeque a promessa original de empregos garantidos. Singer resume a preocupação de forma direta: "teremos amnésia coletiva? Aprendemos alguma lição desses ciclos tecnológicos passados nas escolas?".

A pergunta não é retórica. Empresas de inteligência artificial vêm hoje até escolas americanas com o mesmo discurso: a IA é "a nova onda quente da tecnologia, é onde estão todos os empregos", pressionando instituições a adotarem suas ferramentas o quanto antes.

Um sinal de aprendizado — talvez

A boa notícia, segundo o levantamento, é que as escolas parecem estar mais cautelosas dessa vez. Diferentemente da euforia que cercou os cursos de programação uma década atrás, há hoje maior ceticismo em relação às ofertas de empresas de IA, o que sugere que ao menos parte do sistema educacional está atenta ao padrão histórico e disposta a questionar antes de simplesmente aceitar.

Resta saber se essa cautela vai se sustentar diante da pressão comercial — e se as promessas de hoje sobre a IA na educação vão se cumprir melhor do que as de outrora sobre o "coding".

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