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Ciência27 de out. de 2026, 22:38

Espaçoplano secreto da China é rastreado em órbita baixa, aponta DIA

Relatório da agência de inteligência de defesa americana (DIA) confirma o rastreamento de três missões do espaçoplano reutilizável chinês em órbita baixa e avalia — sem provar — que o país pode levar armas de energia direcionada ao espaço até o fim da década.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: um avião-espião que ninguém consegue esconder

Pense num veículo parecido com um avião pequeno, que sobe ao espaço, fica lá por meses enganchado a outros objetos em órbita e desce de novo — mas que, por mais secreto que seja o programa militar por trás dele, não escapa dos radares e telescópios que vigiam o céu 24 horas por dia. É esse o retrato que emerge de um novo relatório da Defense Intelligence Agency (DIA), a agência de inteligência de defesa dos Estados Unidos, divulgado em 26 de outubro. O documento, intitulado "Challenges to Security in Space" (edição 2026), trata do espaçoplano reutilizável chinês — modelo ainda não identificado com certeza entre as variantes conhecidas como Shenlong e Tengyun.

O que está confirmado

Foto: reprodução/thedefensewatch.com

Aqui a notícia é sólida: o rastreamento orbital do espaçoplano chinês é um fato, não uma suposição. Empresas de monitoramento espacial como a LeoLabs, especializada em rastrear objetos em órbita baixa, e a própria Força Espacial dos EUA já documentaram três missões do veículo. A primeira, em 2020, durou apenas dois dias. A segunda, entre agosto de 2022 e maio de 2023, durou 276 dias e incluiu uma aproximação de menos de 100 metros a outro satélite. A terceira, de dezembro de 2023 a setembro de 2024, durou 268 dias e envolveu interação com um objeto não identificado liberado em órbita. Uma imagem de satélite comercial, captada pela Maxar, chegou a mostrar o espaçoplano com seu módulo de serviço e painéis solares acoplados durante essa terceira missão. Uma quarta missão começou em fevereiro de 2026 e segue em andamento.

O que é avaliação de inteligência, não prova

Já a parte mais delicada do relatório é hipotética, e a DIA é explícita sobre isso: a agência avalia que a China poderia instalar armas de energia direcionada em órbita até o final desta década, somando-se aos lasers terrestres que o país já opera e que são capazes de interferir ou danificar satélites em órbita baixa. O relatório também especula que o próprio espaçoplano poderia ter funções de reconhecimento, vigilância de outros objetos espaciais e, em tese, missões cinéticas ou de guerra eletrônica — mas os resumos disponíveis do documento não afirmam que a DIA concluiu que as missões já realizadas foram testes de armas.

O relatório situa isso dentro de um quadro mais amplo: a frota chinesa de satélites de inteligência, vigilância e reconhecimento passou de cerca de 170 unidades em 2018 para mais de 510 em julho de 2026, mais do que triplicando em menos de uma década. A agência também cita a Rússia como outro país que vem expandindo armamentos capazes de atacar satélites em órbita. A leitura chinesa do episódio é outra: o governo de Pequim acusou Washington de inflar ameaças espaciais para justificar o próprio avanço militar na órbita terrestre, incluindo o programa de defesa antimísseis batizado de "Golden Dome".

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