
Espelho inteligente do Inatel mede sinais vitais só com câmera
Protótipo brasileiro usa inteligência artificial para detectar frequência cardíaca, respiração e oxigenação no sangue a partir de variações no rosto captadas por uma câmera comum, sem nenhum contato físico.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
Câmera comum, sem sensores médicos
Pesquisadores do Inatel — instituto de pesquisa e ensino em telecomunicações de Santa Rita do Sapucaí (MG) — desenvolveram um espelho inteligente capaz de medir sinais vitais sem qualquer contato físico com o usuário. O protótipo usa apenas uma câmera convencional para captar variações sutis de cor na pele do rosto, ligadas ao fluxo sanguíneo, que são imperceptíveis a olho nu.
Segundo a engenheira de software Aline Patta Marcondes, uma das responsáveis pelo projeto, "a câmera consegue enxergar variações que a gente não percebe" nessas mudanças de coloração da pele. A partir dessa leitura óptica, um software processa as imagens e estima três indicadores: frequência cardíaca, ritmo respiratório e nível de oxigenação no sangue. O resultado sai em cerca de 30 segundos.
Foto: reprodução/inatel.br
Como funciona por trás das telas
A solução foi construída em Python, com um sistema de detecção de imagem que aplica inteligência artificial para isolar o sinal relevante — a luz refletida pela pele — em meio a fatores que podem atrapalhar a leitura, como variações na iluminação do ambiente e movimentos do próprio usuário durante a medição. Não há sensores médicos dedicados: toda a captação depende da câmera e do processamento de imagem.
Foto: reprodução/inatel.br
O projeto é assinado por Arilson Xavier de Souza Costa, engenheiro de computação, e Aline Patta Marcondes, engenheira de software, e foi apresentado nesta semana durante o HackTown 2026, evento de tecnologia e inovação realizado em Santa Rita do Sapucaí (MG), cidade-sede do Inatel. A instituição descreve a iniciativa como parte de um esforço para conectar pesquisa acadêmica a aplicações práticas em saúde.
Ainda em fase final de testes
O espelho está em etapa final de desenvolvimento, e a equipe já trabalha em variações da tecnologia. Uma das frentes é adaptar o mesmo método de leitura para câmeras de smartphones, o que abriria caminho para um aplicativo de celular capaz de medir sinais vitais sem qualquer acessório extra.
Entre os usos previstos está a criação de um histórico de sinais vitais ao longo do tempo, que poderia ser compartilhado em consultas médicas como uma referência de acompanhamento contínuo — diferente da medição pontual feita em um consultório. Os pesquisadores também citam desafios técnicos que ainda precisam ser refinados, como a sensibilidade do sistema a variações de luz ambiente e a movimentos do usuário durante a leitura, fatores que podem distorcer o resultado.