tech & talk
Segurança28 de set. de 2026, 11:35

Esquema usa TikTok, Telegram e PIX para vender material de abuso infantil

Investigação da Polícia Federal identificou criminosos que usam o TikTok como vitrine, o Telegram para negociar e o PIX para receber pagamentos por material de abuso sexual infantil. Telegram e TikTok dizem ter removido milhares de grupos e conteúdos irregulares.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

Compartilhar

O que aconteceu

Uma investigação da Polícia Federal, revelada pelo g1, identificou um esquema criminoso que combina três plataformas para comercializar material de abuso sexual infantil no Brasil. Segundo a apuração, criminosos usam o TikTok como vitrine, deixando códigos em comentários de publicações para driblar a moderação e atrair compradores, e direcionam os interessados ao Telegram, onde ocorrem as negociações. Ali, pacotes de fotos e vídeos são vendidos por valores a partir de R$ 10, com prévias enviadas em formato autodestrutivo antes da compra. Os pagamentos são feitos majoritariamente via PIX, além de criptomoedas.

De acordo com a investigação, os criminosos usam contas bancárias de terceiros, como ex-namoradas ou até das próprias vítimas, para tentar dissimular a origem e o destino dos valores. A Polícia Federal identificou ainda o uso de bancos digitais, fintechs e, em alguns casos, a criação de empresas financeiras falsas para movimentar recursos sem deixar rastros. As autoridades afirmam que essas táticas não impedem a identificação dos envolvidos nem o rastreamento das transações.

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

A SaferNet Brasil, organização não governamental dedicada ao combate a crimes digitais, também monitora o problema e afirma que estratégias semelhantes são replicadas em outras plataformas, como X, YouTube e Facebook. A entidade encaminhou à Autoridade Nacional de Proteção de Dados um levantamento com cerca de 1.093 contas do Telegram com indícios de material de abuso sexual infantil.

Quem é afetado

O esquema explora crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual, cujo material é distribuído e monetizado sem seu consentimento. Familiares e responsáveis também podem ser afetados indiretamente quando contas ou dados bancários de vítimas são usados para movimentar os pagamentos ilegais.

Foto: reprodução/diariodocentrodomundo.com.br

O que fazer agora

Desde agosto, uma nova legislação brasileira endureceu as penas para esses crimes: quem produz ou vende material de abuso sexual infantil pode pegar de quatro a dez anos de prisão e multa; quem adquire, possui ou armazena esse conteúdo enfrenta de três a seis anos e multa.

Procuradas, as plataformas afirmaram ter mecanismos de combate ao problema. O Telegram disse que a distribuição desse tipo de conteúdo é expressamente proibida pelos termos de serviço e informou ter removido 339.760 grupos e canais relacionados em 2026. O TikTok declarou não permitir conteúdos que retratem ou disseminem abuso ou exploração sexual infantil e afirmou ter removido proativamente 99,8% dos conteúdos violadores no primeiro trimestre de 2026.

Canais de denúncia

  • Disque 100: denúncias anônimas de violações de direitos humanos, incluindo abuso infantil
  • Polícia Militar: 190
  • SAMU: 192
  • Delegacias de polícia e Ministério Público
  • Canais de denúncia internos do TikTok e do Telegram, disponíveis nas próprias plataformas
golpesdenúnciaproteção infantilplataformas digitaispix
Compartilhar