
Esquerda e direita se unem contra data centers de IA nos EUA
Reportagem do The Verge mostra como a resistência a data centers de inteligência artificial une eleitores de esquerda e direita nos EUA, com o condado de Hernando, na Flórida, aprovando por unanimidade uma moratória de um ano para novos projetos.
Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana
Moratória aprovada por unanimidade na Flórida
Os comissários do condado de Hernando, na Flórida, aprovaram por unanimidade uma moratória de um ano para novas aplicações de data centers, medida que suspende a análise de pedidos de zoneamento, licenças de construção e aprovações de plantas de projeto no território não incorporado do condado. Não havia nenhum pedido pendente no momento da votação — a decisão foi preventiva, para dar à administração local tempo de estudar os impactos dos empreendimentos sobre o consumo de água, a rede elétrica, o ruído e a vizinhança antes que qualquer projeto chegue à mesa dos comissários. O grupo No Data Centers Hernando County, formado por moradores, defende que a pausa se torne uma proibição permanente. A ação foi possibilitada pela SB 484, projeto de lei sancionado pelo governador republicano Ron DeSantis, que passou a dar aos governos locais da Flórida mais autoridade para regular data centers.
Uma pauta que não respeita rótulos partidários
Reportagem da repórter de política Gaby Del Valle, publicada pela The Verge, mostra que a resistência aos data centers de inteligência artificial tornou-se um dos raros pontos de convergência entre esquerda e direita nos Estados Unidos. Segundo pesquisa do instituto Gallup citada na apuração, sete em cada dez americanos se opõem à construção de data centers em suas regiões — quase dois terços dos republicanos entrevistados e 75% dos democratas. Na Flórida, eleitores que apoiaram Donald Trump se dizem dispostos a votar em democratas ou independentes caso isso signifique barrar novos empreendimentos, o que embaralha as linhas partidárias tradicionais. As queixas mais citadas incluem contaminação de água subterrânea, presença de substâncias químicas PFAS, consumo excessivo de energia, poluição sonora e promessas de empregos duradouros que não se concretizaram nas comunidades rurais afetadas.
Onda de protestos em 42 estados
A resistência ganhou corpo nas ruas em 18 de julho de 2026, quando 142 protestos ocorreram simultaneamente em 42 estados americanos, na maior mobilização coordenada contra a expansão de data centers até então. Os atos foram organizados pela HumansFirst, entidade cofundada por Amy Kremer — que também é cofundadora do grupo Women for Trump —, e descritos por ela como um movimento apartidário. O Texas liderou o número de manifestações, com 18 eventos, seguido pela Geórgia (11), Califórnia (8) e por Pensilvânia, Flórida e Indiana, com sete atos cada. A organização resumiu a pauta afirmando que os americanos merecem ter voz antes que as grandes empresas de tecnologia transformem suas comunidades, citando ainda direitos de propriedade, valorização imobiliária e responsabilidade governamental entre as preocupações centrais. Segundo a Epoch Times, US$ 152 bilhões em investimentos do setor foram bloqueados ou adiados em 2025 em meio ao avanço dessa oposição bipartidária.