
Estação espacial chinesa Tiangong vai ganhar telescópio-minilua
Xuntian, telescópio de 15 toneladas com campo de visão 300 vezes maior que o do Hubble, deve ser lançado em 2027 para voar ao lado da Tiangong.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana:
Imagine um telescópio do tamanho de um ônibus grande, voando ao lado de uma estação espacial, mas sem estar grudado nela — chegando perto só quando precisa de manutenção. É esse o plano da China para o Xuntian, apelidado de "Patrulheiro dos Céus".
O que está confirmado
O Xuntian é o Telescópio da Estação Espacial Chinesa (CSST, na sigla em inglês), projeto da CMSA, a agência que comanda o programa espacial tripulado chinês. Tem 15 toneladas, é um pouco menor que o Hubble, mas carrega um campo de visão 300 vezes maior — o que deve permitir mapear cerca de 40% do céu em alta resolução ao longo de uma missão prevista para durar dez anos. O lançamento está planejado para 2027.
A ideia de "minilua" vem do formato de operação: o telescópio vai voar próximo da estação espacial chinesa Tiangong, em órbita desde 2021, mas sem acoplamento permanente. Ele se aproxima periodicamente para manutenção, reabastecimento e upgrades, e depois volta a se afastar para observar o céu sem a vibração e a poluição luminosa da estação. Visto da Terra, o conjunto pode aparecer como uma espécie de "estrela dupla".
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
O que ainda é plano
A Tiangong também está de olho em uma expansão: de três para seis módulos, o que mudaria o formato atual, em "T", para um "T duplo", quase dobrando a massa da estação para cerca de 180 toneladas. Nenhuma dessas mudanças tem data de conclusão confirmada — são planos anunciados pelo programa espacial chinês, não cronograma fechado.
Por que isso importa
Com a desativação prevista da Estação Espacial Internacional por volta de 2030, a Tiangong tende a se tornar a maior estrutura já construída por humanos em órbita. Ter um telescópio dedicado ao lado, sem competir por espaço interno com os astronautas, é a aposta chinesa para rivalizar com projetos como o Hubble e o James Webb em capacidade observacional.