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Smart Cities09 de set. de 2026, 08:42

Estratégia de IA não garante entrega: o que separa discurso de resultado

Levantamento do Boston Consulting Group com 61 cidades mostra que planejamento sofisticado de inteligência artificial não é sinônimo de serviço público que funciona. Londres lidera, mas o dado mais importante é outro: execução.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Ter estratégia de IA não é o mesmo que entregar

Quem mora em uma cidade que anuncia planos ambiciosos de inteligência artificial já deveria desconfiar: plano bonito no papel nem sempre vira serviço que funciona no dia a dia. É essa a conclusão central do primeiro Intelligent Cities Index, levantamento do Boston Consulting Group, consultoria global de estratégia empresarial, que avaliou 61 cidades em 39 países cruzando 35 indicadores em cinco frentes — resultados para o morador, estratégia, adoção, forma de trabalho e fatores habilitadores como dados e talento.

O achado mais relevante não é quem está no topo, mas o descompasso que aparece no meio da tabela: cidades com estratégias de IA sofisticadas e equipes dedicadas nem sempre são as que mais entregam. Algumas administrações com estruturas mais modestas conseguiram colocar tecnologia em uso real para o cidadão, enquanto outras, mais bem equipadas no papel, travaram na hora de executar.

Quem lidera — e por quê isso importa para quem paga a conta

Londres ficou em primeiro lugar geral, com 85 pontos. Dubai, Nova York, Washington e Amsterdã dividem a segunda posição, com 80 pontos cada. Berlim aparece em seguida, com 78. Já no quesito "formas de trabalho" — que mede como as prefeituras de fato operam a tecnologia no dia a dia — despontam Nova York, Singapura, Seul, Londres, Berlim, Dubai, Barcelona, Boston, Dallas e San Francisco.

Segundo Akram Awad, sócio e diretor administrativo do escritório da BCG em Dubai e um dos autores do índice, a diferença entre cidades bem-sucedidas e as que travam está na execução: planejamento forte não basta se a prefeitura não tem líderes com mandato claro para tirar o projeto do papel. Para ele, as cidades mais efetivas são as orientadas por impacto — não por vitrine tecnológica.

O paralelo que falta: quanto custou e quem fiscaliza

O relatório não detalha investimento por cidade, o que deixa uma lacuna incômoda para o contribuinte: sem valor gasto e sem órgão de fiscalização nomeado, fica difícil saber se a tecnologia comprada virou serviço ou só apresentação em powerpoint. É a mesma pergunta que cabe a qualquer prefeitura brasileira que anuncie plano de IA — de São Paulo a capitais menores: existe estratégia bonita, mas existe entrega mensurável e auditável para quem usa o serviço público todos os dias?

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