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Ciência20 de ago. de 2026, 10:41

Estrela mais próxima do buraco negro da Via Láctea pode revelar seu giro

A S301 orbita Sagittarius A* a 8% da velocidade da luz e chega mais perto do buraco negro central da galáxia do que qualquer outra estrela já vista. Astrônomos esperam usá-la para medir a rotação do buraco negro.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Imagine percorrer a distância entre a Terra e a Lua em menos de um segundo. É mais ou menos a que velocidade a estrela S301 está viajando no seu ponto mais rápido: cerca de 25 mil km/s, o equivalente a 8% da velocidade da luz. É rápido o bastante para ser, hoje, a estrela mais veloz já registrada na nossa galáxia — e também a que mais se aproxima do buraco negro supermassivo que fica no centro da Via Láctea, o Sagittarius A*.

O que foi confirmado

Foto: reprodução/livescience.com

Uma equipe internacional ligada à colaboração GRAVITY+, usando o Very Large Telescope Interferometer do Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile, identificou a S301 combinando observações recentes com dados que remontam a 2017. O achado foi publicado na revista científica Nature.

Segundo os dados divulgados, a S301 é uma estrela da sequência principal, cerca de 50% maior que o Sol, e completa uma volta ao redor do Sagittarius A* a cada 8,7 anos. No ponto de maior aproximação, ela passa a apenas 1,7 bilhão de quilômetros do buraco negro — distância parecida com a que separa Saturno do Sol, e cerca de dez vezes mais perto do que a estrela S2, até então uma das mais estudadas na região. Com isso, a S301 supera o recorde de proximidade que antes pertencia à S4716.

O que ainda é hipótese ou próximo passo

O ineditismo da descoberta não está só na velocidade ou na distância, mas no que ela pode permitir calcular a seguir: o giro do próprio buraco negro. A ideia, apontada pelos pesquisadores, é que o spin do Sagittarius A* deve distorcer sutilmente a órbita da estrela ao longo do tempo — um efeito previsto pela relatividade geral de Einstein. Rastreando essas mudanças orbitais nos próximos anos, os cientistas afirmam que será possível, pela primeira vez, medir diretamente a rotação de um buraco negro supermassivo em uma galáxia "quiescente" (sem atividade intensa de acreção), como é o caso da nossa.

Esse cálculo, no entanto, ainda depende de anos de observação adicional — o próprio artigo publicado na Nature trata a medição do spin como um objetivo alcançável dentro de aproximadamente uma década, não como um resultado já obtido. Se confirmado, o dado pode ajudar a entender como o Sagittarius A* se formou e evoluiu, com reflexos sobre a própria história da formação da Via Láctea.

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