
Estudantes do Inatel criam controle de 8 botões para comunicação assistiva
Projeto apresentado na Fetin usa base de código aberto do GitHub para ajudar pessoas com paralisia cerebral e outras limitações motoras a montar frases e falar por voz com apenas oito botões.
Por Bruno Vilela · Repórter de Gadgets
Oito botões, uma frase por vez
Comunicar uma necessidade básica — pedir água, dizer que está com dor, cancelar algo — pode depender de outra pessoa quando a fala e os movimentos finos não cooperam. Estudantes do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), faculdade de engenharia de Santa Rita do Sapucaí (MG) conhecida pela tradição em telecomunicações, resolveram atacar esse problema com um controle físico de oito botões, apresentado na 45ª Fetin, a feira de tecnologia da própria instituição.
Como funciona na prática
Esquece joystick ou tela touch: são quatro botões de navegação (cima, baixo, esquerda, direita) e quatro de ação (confirmar, apagar, voltar, reproduzir). O usuário percorre categorias de palavras e frases pré-cadastradas numa interface digital e manda o sistema falar por voz, com opção de voz masculina ou feminina. Quando a frase pronta não serve, dá pra montar uma do zero num teclado virtual na tela.
A liderança do projeto, batizado de Controle Total, é de Júlia Gonçalves, graduanda em Engenharia de Software. O time não começou do zero: "Partimos de um projeto de código aberto disponível no GitHub e fizemos as adaptações necessárias", disse ela ao Canaltech. O repositório está público sob o nome "controle_total" e qualquer pessoa pode conferir o código.
O que custa e o que falta
Aqui a conta fica interessante: os componentes do controle somam entre R$ 150 e R$ 170. Dispositivos comerciais de comunicação aumentativa e alternativa (CAA), voltados ao mesmo público, costumam custar bem mais quando importados, fora manutenção. Se o projeto evoluir para produção em escala, essa diferença de preço pode ser o que separa uma família que consegue comprar de uma que não consegue.
Só que "evoluir para produção" ainda é um "se". O projeto segue em fase acadêmica, sem data de lançamento, sem fabricante definido e sem canal de venda. Para sair da bancada da Fetin e chegar a quem precisa, falta o que normalmente falta nesses casos: parceria com um fabricante, certificação e um caminho de distribuição — nenhum dos quais depende só de engenharia.