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Ciência09 de ago. de 2026, 21:48

Estudo derruba teoria de que erupção de Toba quase extinguiu a humanidade

Novas evidências em lagos africanos e sítios arqueológicos indicam que o impacto climático da supererupção de 74 mil anos atrás foi muito menor do que se pensava.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Imagine um vulcão capaz de expulsar magma suficiente para cobrir toda a Indonésia com uma camada de vários metros de cinza. Foi o que aconteceu há cerca de 74 mil anos, quando o Monte Toba, na atual Sumatra, produziu a maior erupção que a humanidade já testemunhou — uma supererupção tão grande que virou sinônimo de quase-extinção nos livros de divulgação científica.

O que estava confirmado até agora

A teoria clássica, batizada de "gargalo populacional de Toba", propõe que a erupção provocou um inverno vulcânico de até seis anos, reduzindo a população humana mundial a cerca de 10 mil indivíduos. É uma hipótese antiga, repetida com frequência, mas que nunca teve consenso pleno entre vulcanologistas e arqueólogos.

O que a nova evidência muda

Estudos recentes usando lagos da África Oriental como registro climático indicam que o inverno vulcânico simplesmente não aconteceu na região — ou, se aconteceu, foi muito mais brando do que os modelos antigos supunham. Pesquisadores identificaram que simulações anteriores superestimaram a injeção de dióxido de enxofre da erupção por uma ou duas ordens de grandeza, o que infla artificialmente o efeito de resfriamento global nos modelos.

Isso bate com o registro arqueológico: sítios no sul da África mostram continuidade de atividade humana antes e depois da erupção, sem sinal do colapso populacional que a teoria do gargalo previa. Populações de mamíferos ao redor do mundo também não mostram a queda abrupta esperada.

O que ainda é hipótese

Nem tudo está fechado. A datação precisa da camada de cinzas de Toba em diferentes sítios ainda gera debate, e é possível que o impacto tenha sido mais severo em regiões específicas, perto do vulcão, mesmo sem efeito climático global. O consenso que emerge não é "a erupção não teve efeito nenhum" — é que o efeito foi pontual, não a catástrofe planetária de seis anos descrita nos anos 1990.

Para os cientistas, o caso de Toba virou um lembrete de como é fácil uma hipótese chamativa se fixar antes que a evidência acumulada consiga corrigi-la.

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