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IA05 de out. de 2026, 09:49

Estudo mapeia 2.548 'tiques' de escrita do Claude Opus 5.5

Levantamento da empresa de marketing Graphite comparou textos gerados pelo modelo da Anthropic com artigos humanos e encontrou milhares de palavras e construções repetidas em excesso — da palavra 'dependable' à frase 'this matters'.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Uma impressão digital no texto

Todo modelo de linguagem tem seus cacoetes, em bom português: aquelas palavras e construções que ele repete sem perceber, como um tique nervoso. Um estudo da Graphite, empresa de marketing que analisa conteúdo otimizado para buscadores, catalogou 2.548 palavras, frases e padrões de frase que aparecem no Claude Opus 5.5, modelo mais recente da Anthropic, com frequência pelo menos duas vezes maior do que em textos escritos por humanos.

A metodologia foi direta: pesquisadores pegaram 10 mil artigos publicados antes do lançamento do ChatGPT, resumiram o conteúdo e pediram para os modelos de IA reescreverem os textos a partir desses resumos. Depois, compararam a frequência de palavras e expressões entre o resultado da IA e o material original, feito por pessoas.

'Dependable' e o hábito de dizer que algo importa

O maior tique identificado no Opus 5.5 é a palavra "dependable" (algo como "confiável"), que aparece 23 vezes mais do que em textos humanos. Mas o traço mais marcante do modelo é um hábito retórico: dizer explicitamente por que algo importa. A expressão "this matters" surge 116 vezes mais que o normal, e a construção "why X matters" aparece 92 vezes mais — um sinalizador de relevância que, segundo a Graphite, já era o cacoete mais comum tanto no Opus 5 quanto no 5.5.

Nem tudo é repetição, porém. O uso de travessões (em-dashes), antigo símbolo de texto gerado por máquina, caiu cerca de 99% em relação à versão anterior do modelo.

Melhorou, mas não resolveu

A Graphite também mediu a distância entre a distribuição de palavras do Opus 5.5 e a de textos humanos: o índice caiu de 0,064 (Opus 5) para 0,052, uma redução de 19%. Ou seja, o modelo está, de fato, soando mais humano a cada versão — só que ainda carrega marcas claras de origem artificial.

Fica a pergunta que o próprio estudo não resolve: dá para eliminar esses tiques por completo, ou eles são consequência inevitável de como modelos com bilhões de parâmetros aprendem a escrever? Por ora, a resposta da indústria tem sido afinar os sintomas, não curar a causa.

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