
Estudo mede, por fim, a velocidade com que a Lua está encolhendo
Pesquisa liderada pelo Smithsonian estima que o raio lunar diminuiu cerca de 45 metros nos últimos 400 a 800 milhões de anos, gerando tremores e fissuras que preocupam planejadores das missões Artemis.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: a Lua perdeu, em centenas de milhões de anos, o equivalente à altura de um prédio de 15 andares
É a medida confirmada por um novo estudo publicado em 14 de outubro de 2026 na revista científica The Planetary Science Journal, sob o título "Thrust Faulting and the Late-Stage Contraction of the Moon". A pesquisa foi liderada por Thomas R. Watters, cientista emérito do Centro de Estudos da Terra e Planetários do Museu Nacional do Ar e Espaço do Smithsonian, instituição de pesquisa e museus dos Estados Unidos, com participação de Maria Banks, Cole Nypaver e Mark Robinson.
O que o estudo mediu
Usando 17 anos de imagens da câmera LROC, a bordo da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter da NASA, os pesquisadores mapearam mais de 10 mil falhas geológicas jovens distribuídas pela superfície lunar — tanto nas regiões montanhosas quanto nos mares lunares. A partir desse mapeamento, a equipe estima que o raio da Lua diminuiu aproximadamente 45 metros nos últimos 400 a 800 milhões de anos.
Assumindo que esse encolhimento ocorreu de forma uniforme ao longo do tempo, os cientistas calculam uma velocidade de contração entre 6 e 11 centímetros por milhão de anos — um ritmo que a própria equipe descreve como "glacial", mas constante.
A causa: resfriamento do interior lunar
O mecanismo por trás do fenômeno, segundo o estudo, é o resfriamento contínuo do interior da Lua, que faz sua única placa tectônica se contrair. Essa contração gera deslizamentos em falhas já existentes e a formação de novas falhas, provocando os chamados "tremores lunares" (moonquakes) e fissuras na superfície. Em nota, Watters afirmou que, "conforme o interior da Lua continua a se esfriar e se contrair, o crescimento de falhas existentes e a formação de novas falhas devem continuar" — uma previsão de tendência, não uma data marcada.
Por que isso importa para a Artemis
As falhas identificadas se concentram, em parte, perto da região polar sul da Lua — justamente onde a NASA estuda local de pouso para as missões Artemis, incluindo áreas com potencial de gelo em crateras permanentemente sombreadas. Os autores alertam que abalos sísmicos rasos capazes de provocar tremores fortes na região polar sul são possíveis a partir de deslizamentos nas falhas já mapeadas. Isso não significa risco imediato confirmado para astronautas, mas é um dado que passa a entrar no planejamento de onde pousar e construir bases lunares futuras com mais segurança.