
Empresa do chat GPT diz que Brasil pode ganhar quase R$ 1 Trilhão com IA
Levantamento do Reglab, encomendado pela própria OpenAI, estima que a adoção de IA pode acrescentar R$ 986,7 bilhões ao PIB brasileiro entre 2027 e 2030 — o equivalente a 7,6% do PIB projetado para 2026.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
R$ 986,7 bilhões. É o quanto a adoção de inteligência artificial (IA) poderia adicionar ao PIB brasileiro entre 2027 e 2030, segundo estudo do centro de pesquisa Reglab encomendado pela própria OpenAI, dona do ChatGPT. O valor, trazido a valor presente e descontado pela Selic a 13% ao ano, equivale a 7,6% do PIB projetado para 2026, de R$ 12,9 trilhões — ou um impacto acumulado de 2,77% do PIB ao longo dos quatro anos, com expansão média de 0,69 ponto percentual por ano.
O detalhe que precisa vir junto com a manchete: quem pagou a conta foi a própria OpenAI. Isso não invalida a metodologia, mas é o tipo de informação que muda a forma como se lê cada projeção otimista do relatório.

Sam Altman, o dono da Open AI. (Imagem: Reprodução)
Como o cálculo foi montado
O Reglab adaptou ao Brasil a metodologia de um artigo de 2025 do Nobel de Economia Daron Acemoglu, que projetou o impacto da IA no PIB americano. O modelo brasileiro avaliou 12 setores da economia e dividiu o ganho em dois canais: 65% viria do aumento de produtividade dos trabalhadores e 35% da maior eficiência de máquinas e ativos produtivos.
Quem ganha mais
A indústria de transformação lidera as projeções, com R$ 264,2 bilhões estimados no período. Na sequência vêm outras atividades de serviços (R$ 165,4 bilhões) e o comércio (R$ 131,2 bilhões). Informação e comunicação aparece com impacto menor em valor absoluto, mas é o setor mais dependente do fator trabalho: 97% do ganho ali viria da produtividade humana, não de automação de máquinas. Na agropecuária, a lógica se inverte — 92% do impacto vem de máquinas e infraestrutura.
As ressalvas que o release não destaca
O próprio estudo reconhece que os ganhos não aparecem de uma vez, mas de forma gradual, e que a difusão da IA no Brasil tende a ser mais lenta que em economias avançadas, dadas as lacunas de infraestrutura e qualificação. Do lado da adoção, o Brasil já usa mais IA que a média global — 42% das empresas brasileiras contra 34% no mundo —, mas extrai menos valor real da tecnologia: 23% aqui contra 27% lá fora. A maturidade média das empresas brasileiras em IA é de 2,7 em uma escala de 5.
"Nosso apetite é maior do que a nossa preparação", resumiu Flávio Loução, da Deloitte. Dados da Anbima citados no levantamento mostram que 39% das empresas brasileiras ainda estão em estágio inicial de adoção de IA, 40% em fase de estabilização e só 13% em estágio avançado — um retrato que contrasta com a bilionária projeção de PIB anunciada pela patrocinadora do estudo.