
Estudo prevê que morte do Sol pode desestabilizar o Sistema Solar antes do previsto
Simulações de astrofísicos do Caltech e da Universidade de Michigan indicam que as órbitas de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno podem entrar em caos cerca de 1 bilhão de anos após o Sol se tornar uma anã branca — uma fração do prazo estimado antes.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Para escala humana: um bilhão de anos ainda é rápido demais
Pra colocar em perspectiva: o Sol tem hoje cerca de 4,6 bilhões de anos e ainda deve brilhar por mais 5 bilhões antes de esgotar o combustível nuclear e se transformar em uma anã branca. É uma escala de tempo tão vasta que soa abstrata — mas um novo estudo mostra que, mesmo nesse horizonte gigantesco, o fim do Sistema Solar como o conhecemos pode chegar muito antes do que os modelos indicavam até agora.
O que já era sabido (confirmado)
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É fato estabelecido na astronomia que, ao esgotar o hidrogênio, o Sol vai se expandir, ejetar suas camadas externas e colapsar em uma anã branca, perdendo boa parte de sua massa no processo. Estimativas anteriores, baseadas em modelos de perda de massa gradual e contínua, apontavam que as órbitas dos planetas gigantes — Júpiter, Saturno, Urano e Netuno — permaneceriam estáveis por cerca de um quintilhão de anos, um tempo tão maior que a idade atual do universo que a questão era considerada praticamente irrelevante.
A nova simulação (hipótese/previsão)
O estudo "Terminal Instability of the Solar System Triggered by Stochastic Solar Mass Loss", publicado na revista científica The Astrophysical Journal Letters, muda essa conta. A pesquisa foi conduzida pelos astrofísicos teóricos Konstantin Batygin e Jim Fuller, do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia), em parceria com Fred Adams, da Universidade de Michigan.
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Usando simulações computacionais, a equipe testou um mecanismo diferente: em vez de perder massa de forma suave, o Sol moribundo expeliria suas camadas em milhares de ejeções violentas e aleatórias — os chamados "chutes estocásticos". Cada uma dessas ejeções provoca pequenas variações na velocidade da estrela que vão se acumulando e desestabilizando as órbitas planetárias de forma muito mais rápida do que se pensava.
Os números, vale repetir, são resultado de simulação, não de observação direta: em 9 de cada 10 cenários testados, ao menos um planeta gigante é arremessado para fora do Sistema Solar. Em parte dos cenários mais extremos, as órbitas começam a se misturar quando o Sol perdeu apenas 10% de sua massa original. E em 40% dos modelos, a desordem no sistema externo já está instalada no momento em que a estrela colapsa definitivamente em anã branca — bem diferente da estabilidade bilionária prevista antes.
Por que isso importa
A pesquisa não altera o destino final do Sol nem acelera sua morte: o prazo de cerca de 5 bilhões de anos continua o mesmo. O que muda é o que acontece depois — e isso tem peso científico porque recalibra como astrônomos devem simular o destino de outros sistemas planetários ao redor de estrelas que também vão morrer como anãs brancas, caso de quase toda a população estelar da Via Láctea.