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Ciência06 de ago. de 2026, 23:53

Estudo revela por que mamutes-lanosos foram extintos, mesmo isolados e estáveis

Análise genômica da última população de mamutes-lanosos, isolada na Ilha de Wrangel por 6 mil anos, descarta a genética como causa isolada da extinção e aponta para um evento externo repentino.

Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana

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Genética não explica sozinha o fim dos mamutes

Um novo estudo publicado na revista científica Cell reacende o debate sobre por que os mamutes-lanosos desapareceram da Terra. A pesquisa, conduzida por cientistas do Centro de Paleogenética — parceria entre o Museu Sueco de História Natural e a Universidade de Estocolmo —, analisou genomas da última população conhecida da espécie e concluiu que a baixa diversidade genética, isoladamente, não é suficiente para explicar sua extinção.

A última população, isolada por 6 mil anos

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

O grupo de mamutes estudado viveu isolado na Ilha de Wrangel, no Ártico russo, depois que o degelo elevou o nível do mar e separou a ilha do continente, há cerca de 10 mil anos — época em que a espécie já havia desaparecido do restante do planeta. Essa população remanescente começou com apenas 8 indivíduos reprodutores e, ao longo de cerca de 20 gerações, cresceu para entre 200 e 300 animais, mantendo-se relativamente estável durante os 6 mil anos seguintes.

Sinais de endogamia, mas sem colapso populacional

Os pesquisadores, liderados pela primeira autora Marianne Dehasque e pelo geneticista evolutivo Love Dalén, identificaram no DNA dos mamutes de Wrangel sinais claros de endogamia e perda de diversidade genética — incluindo genes do complexo principal de histocompatibilidade, responsáveis por parte da resposta imunológica dos animais. Ainda assim, os dados mostram que essa erosão genética ocorreu de forma lenta e constante ao longo dos milênios, sem indicar que a população estivesse encolhendo ou caminhando para um colapso natural.

Foto: reprodução/eurekalert.org

Hipótese: um evento repentino selou a extinção

Com base nesses achados, a equipe descarta a ideia de que os mamutes estavam geneticamente "condenados" à extinção por serem poucos e isolados. Em vez disso, os cientistas defendem que algo abrupto e imprevisível — como uma mudança ambiental rápida, um surto de doença ou outro evento pontual — provavelmente exterminou a população em um curto espaço de tempo, cerca de 4 mil anos atrás.

O que isso significa para projetos de "desextinção"

A conclusão tem implicações diretas para iniciativas que buscam reviver a espécie por engenharia genética: se a causa da extinção não foi um defeito genético estrutural, populações recriadas em laboratório poderiam, em teoria, ser viáveis do ponto de vista biológico — desde que não enfrentem novamente um evento externo catastrófico semelhante ao que, aparentemente, apagou os últimos mamutes da Terra.

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