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Mercado26 de out. de 2026, 23:06

Etanol puro volta ao mercado: por que Chevrolet e VW apostam no motor exclusivo

Depois de quase 20 anos de domínio flex, Onix Eco, Onix Plus Eco e Saveiro Robust chegam com motor só a etanol para encaixar no Carro Sustentável e pagar menos IPI. Consumidor ganha no preço, usineiro ganha mercado.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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O motor que tinha desaparecido está de volta

A Chevrolet confirmou o Onix Eco e o Onix Plus Eco, versões da linha 2027 com motor 1.0 turbo de 115 cv recalibrado para funcionar exclusivamente com etanol, câmbio automático de seis marchas e preço de lista de R$ 103.990 (Onix Eco) e R$ 106.990 (Onix Plus Eco), com promoções de lançamento em R$ 99.990 e R$ 103.990, respectivamente. A Volkswagen seguiu o mesmo caminho com a Saveiro Robust, agora equipada só com o motor 1.6 MSI a etanol, vendida por R$ 111.490 — R$ 4,2 mil mais barata que a versão flex equivalente.

O movimento marca a volta de um conceito que havia sumido das prateleiras desde a consolidação dos motores flex, que dominam o mercado brasileiro há quase duas décadas por permitirem ao motorista escolher entre álcool e gasolina no mesmo tanque.

Por que voltar ao etanol puro agora

A resposta é tributária, não apenas ambiental. Veículos movidos só a etanol se encaixam no programa Carro Sustentável, vinculado ao regime Mover, que concede reduções de IPI a modelos que atendem critérios de eficiência energética, reciclabilidade e produção nacional. Carros a etanol já contam com redução de 0,5 ponto percentual na alíquota-base do imposto, caindo de 6,30% para 5,80%, e podem chegar a IPI zero dentro do programa. A Saveiro Robust Etanol, por exemplo, é a primeira picape compacta a entrar no Carro Sustentável, com emissão de 50g de CO2 por km no ciclo poço-à-roda, bem abaixo do limite de 84g exigido pelo programa.

A eficiência também melhorou: o Onix Eco passou de 10,9 km/l (flex) para 11,1 km/l, e a Saveiro Robust Etanol foi de 8,1 km/l para 8,5 km/l na cidade.

Quem ganha e quem perde

Para o consumidor, a conta fecha se o etanol estiver competitivo frente à gasolina na bomba — histórico decisivo para a adesão ao flex nos anos 2000 e que volta a pesar agora, com carros de entrada mais baratos graças ao corte de IPI. As montadoras ganham ao usar a engenharia simplificada do motor único para baratear versões de entrada e cumprir metas de emissão do Mover sem recorrer à eletrificação, ainda cara para o mercado brasileiro. Já o setor sucroalcooleiro é o grande beneficiado estratégico: cada carro exclusivamente a etanol lançado amplia a demanda garantida pelo combustível, driblando a concorrência direta da gasolina que existe nos modelos flex.

O risco fica com quem depende de rodar em região sem etanol competitivo ou disponível: sem a flexibilidade do flex, o motorista desses modelos fica exposto a oscilações de preço do insumo agrícola, sem a opção de trocar para gasolina em períodos de entressafra.

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