
Missão chinesa na Lua põe lenha na disputa por terrenos
Com o lançamento da missão lunar Chang'e 7 rumo ao polo sul da Lua, autoridades e o Congresso dos EUA reconhecem que a China fechou a distância na corrida espacial. O temor: que Pequim declare posse de território lunar sob pretexto científico.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Quase seis décadas depois da Apollo 11, a corrida à Lua ganhou um novo capítulo: a China lança a missão Chang'e 7 rumo à região do polo sul lunar, perto da cratera Shackleton — área cobiçada por concentrar "regiões permanentemente sombreadas" onde se acredita haver gelo de água. É essa faixa de poucos quilômetros quadrados que virou o novo "imóvel de luxo" da exploração espacial, segundo reportagem do editor sênior de espaço Eric Berger, da Ars Technica.
O que é fato confirmado
A Chang'e 7 leva orbitador, módulo de pouso, rover e um mini-hopper. O programa lunar chinês começou há quase duas décadas, somando mais de 100 missões lunares desde a soviética Luna 1, em 1959. Do lado americano, é fato que o Congresso deu ao administrador da NASA, Jared Isaacman, liberdade para promover "mudanças abrangentes" no programa Artemis, e que a NASA cancelou o desenvolvimento da estação espacial Lunar Gateway. Também é fato — confirmado por Isaacman — que ele mantém a meta de os EUA cumprirem o prazo de pouso tripulado em 2028.
O que ainda é hipótese
A possibilidade mais delicada é especulativa: a de que a China possa usar a presença de seus rovers no solo lunar como base para reivindicar direitos territoriais informais na região — um temor que ecoa alertas anteriores de dirigentes da NASA. Não há, até o momento, qualquer declaração oficial chinesa nesse sentido, e o país já negou publicamente pretensões de "tomar posse" da Lua no passado.
Por que o Congresso mudou o tom
A leitura de Berger é que a proximidade da missão chinesa funcionou como alarme em Washington: parlamentares que antes tratavam o avanço espacial chinês como algo distante passaram a pressionar por respostas mais rápidas da NASA.
Mas afinal, de quem é a lua?
Para uma resposta curta, a Lua não tem dono. Pela lei internacional, nenhum país ou pessoa pode ser dono dela. O Tratado do Espaço Exterior da ONU, assinado em 1967, diz que a Lua pertence a toda a humanidade e é livre para todos explorarem.
Agora, se um país instala uma base numa região e outro país quiser a mesma coisa ali naquele 'lote', a história já complica, e até o momento, não há um combinado que trate exatamente desse tipo de impasse. Em tese, quemchegar primeiro fica.