
EUA fecham contrato de US$ 875 milhões em IA para tráfego aéreo
A agência de aviação americana contratou a startup Air Space Intelligence para reformar o controle de tráfego aéreo em meio à pior escassez de controladores em 20 anos.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Quanto custou
US$ 875 milhões, por 12 anos. Esse é o valor do contrato que a FAA (Federal Aviation Administration), agência americana responsável pelo controle do tráfego aéreo civil, fechou com a Air Space Intelligence (ASI), startup de Boston que já opera comercialmente com companhias como Alaska Airlines, Delta e United. A ASI venceu concorrentes bem maiores, como a Palantir Technologies, empresa de análise de dados usada por governos e forças armadas, e a francesa Thales, fabricante de sistemas de defesa e aviação.
Por que agora
O contrato chega em meio à pior escassez de controladores de tráfego aéreo dos Estados Unidos em 20 anos: a FAA opera com cerca de 3 mil posições não preenchidas, o equivalente a 1 em cada 5 vagas vazias nos aeroportos mais movimentados do país. A paralisação do governo americano em outubro de 2025 piorou a situação — foram registrados 264 incidentes de falta de pessoal, quatro vezes mais que no ano anterior — e auditorias já classificaram parte dos sistemas atuais como "insustentáveis", rodando em hardware antigo com remendos de software.
O que o dinheiro compra
O contrato cobre dois sistemas. O primeiro, FMDS (Flow Management Data and Services), substitui a infraestrutura de dados que hoje sustenta o centro de comando do tráfego aéreo americano. O segundo, batizado SMART, é uma plataforma de IA em nuvem que cruza horários de voos, previsão do tempo, capacidade dos aeroportos e restrições do espaço aéreo para prever congestionamentos e identificar conflitos antes que aconteçam — ajudando o controlador humano a decidir, não substituindo-o. A primeira implantação do SMART está prevista para este outono do hemisfério norte, começando pela região de Washington, D.C., com expansão total prevista para 12 a 24 meses.
Quem fiscaliza
Como em qualquer contrato público de longo prazo, a pergunta que fica é quem vai acompanhar se o sistema entrega o prometido ano após ano — e o que acontece se a modernização atrasar enquanto o déficit de controladores continua aberto. Não há, nas informações divulgadas até agora, um cronograma público de auditorias independentes sobre o desempenho da ferramenta ao longo dos 12 anos de contrato.
O que falta responder
Não está claro se o sistema vai reduzir de fato a dependência de mais controladores contratados, ou se vai apenas administrar a escassez atual. Também não foi divulgado se outros aeroportos, além de Washington, têm data definida para receber o SMART.