
EUA indiciam rede que infiltrou norte-coreanos em 70 empresas
Departamento de Justiça americano descreve esquema de trabalhadores de TI usando identidades roubadas para conseguir emprego remoto e desviar dinheiro para Pyongyang.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) indiciou uma rede responsável por infiltrar trabalhadores de TI ligados à Coreia do Norte em pelo menos 70 empresas americanas, segundo denúncia de 58 páginas apresentada no Distrito Norte de Ohio. O esquema usava identidades roubadas de cidadãos americanos para conseguir vagas remotas de tecnologia, operando o que as autoridades chamam de "laptop farms" — casas e escritórios nos EUA com dezenas de notebooks ligados, usados para dar acesso remoto aos sistemas das empresas contratantes como se o funcionário estivesse mesmo ali.
Em operação paralela no Texas, batizada de "Operation Lonestar Roundup", agentes revistaram mais de 40 residências e apreenderam 187 notebooks e dispositivos KVM (usados para controlar computadores à distância). Ao menos duas pessoas já foram presas e indiciadas.
Quem é afetado
As empresas infiltradas estão espalhadas por Ohio e mais 16 estados americanos, nos setores de saúde, suporte técnico, varejo, comunicações e manufatura — ou seja, qualquer companhia que contrata profissionais de TI remotos é um alvo em potencial. A rede teria movimentado cerca de US$ 3 milhões em fundos roubados; em contexto mais amplo, o FBI estima que a Coreia do Norte tenha desviado ao menos US$ 2 bilhões em criptomoedas só em 2025 por meio de esquemas parecidos.
O que fazer agora
Para empresas que contratam remotamente, o DOJ e especialistas em segurança recomendam:
- Verificar identidade com entrevistas em vídeo ao vivo e checagem de documentos originais, não só cópias digitais;
- Desconfiar de candidatos que pedem para enviar o notebook corporativo para um endereço diferente do de residência declarado;
- Monitorar acessos remotos feitos por meio de dispositivos KVM ou softwares de controle incomuns;
- Treinar o RH para reconhecer sinais de entrevistas conduzidas por terceiros ("facilitadores"), não pelo candidato real.
Segundo o DOJ, a tendência é que esses grupos recrutem cada vez mais "facilitadores" americanos para driblar as defesas que as empresas já aprenderam a montar contra o golpe clássico — o que torna a checagem de identidade, hoje, ainda mais importante do que o currículo em si.