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Smart Cities22 de set. de 2026, 09:54

EUA lançam plano de segurança rodoviária com foco em carro autônomo

Nova Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária do governo americano prioriza comunidades rurais e tribais e mistura fiscalização de trânsito com tecnologia avançada para reduzir mortes evitáveis.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Menos mortes, mas plano mais ambicioso

Em agosto de 2026, o Departamento de Transportes dos Estados Unidos (US DOT) publicou a nova Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária, substituindo a versão de 2022. O timing chama atenção: as mortes em acidentes de trânsito no país caíram para 36.640 em 2025, o menor número desde 2019, ante 39.254 em 2024. Ainda assim, o governo decidiu lançar um plano mais robusto, não recuar.

A estratégia se apoia em três eixos — pessoas mais seguras, estradas mais seguras e veículos mais seguros — com uma novidade em relação ao ciclo anterior: o foco declarado em comunidades rurais e tribais, historicamente fora do centro das políticas de segurança viária dos EUA, que tendem a mirar grandes centros urbanos.

A aposta no carro autônomo

O documento também reforça a estratégia nacional para veículos autônomos, anunciada separadamente pelo DOT em setembro de 2026, cobrindo o período de 2026 a 2030. A lógica declarada pelo secretário de Transportes, Sean Duffy, é usar tecnologia avançada para reduzir acidentes evitáveis, dando acesso mais amplo a veículos com os recursos de segurança mais recentes — o que, na prática, também significa abrir caminho regulatório para carros sem motorista rodarem em mais estados americanos.

O plano também promete atacar congestionamento com "intervenções de engenharia baseadas em evidência", unindo dois problemas que nem sempre andam juntos: rua mais segura costuma significar rua mais lenta, não mais rápida. É a contradição que a especialista Heidi Simon, diretora da iniciativa Thriving Communities na organização Smart Growth America, resume numa frase direta: não dá para projetar ruas para segurança e velocidade ao mesmo tempo.

Quem fiscaliza a promessa

O texto do DOT fala em "renovado compromisso com a fiscalização da lei" como parte da estratégia — mas não detalha, pelo menos no que foi divulgado, quanto vai custar a implementação nem que órgão vai medir se as metas estão sendo cumpridas nas comunidades rurais e tribais citadas como prioridade. Jonathan Adkins, CEO da Governors Highway Safety Association, associação que reúne os escritórios estaduais de segurança viária dos EUA, acompanha de perto o tema.

Fica a pergunta que cabe fazer de qualquer plano público lançado num momento de queda nas estatísticas: um plano mais ambicioso agora, com foco em tecnologia e zonas antes negligenciadas, é prevenção inteligente ou tecnologia sendo usada para desviar de perguntas mais simples, como manutenção de estradas e fiscalização de velocidade?

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