
EUA liberam US$ 5,3 bi para modernizar projetos ferroviários
Federal Railroad Administration distribuiu a verba entre 41 projetos em 23 estados, incluindo 43 novos trens para a Amtrak. Pedidos somavam US$ 11,66 bi — quase o dobro do valor aprovado.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
A Federal Railroad Administration (FRA), agência de trens dos Estados Unidos, anunciou no dia 14 de agosto US$ 5,3 bilhões em verbas para 41 projetos ferroviários em 23 estados. O anúncio foi feito pelo secretário de Transportes Sean Duffy, no terminal ferroviário de Cincinnati.
A Amtrak, operadora nacional de trens de passageiros, fica com a maior fatia: US$ 2,05 bilhões para comprar 43 novos trens e mais US$ 140 milhões para reformar 41 locomotivas das rotas do Meio-Oeste e da Costa do Pacífico. Os outros US$ 3,2 bilhões vão para cruzamentos rodoferroviários, pontes e estações.
Quem fica de fora
A FRA recebeu 103 pedidos, somando US$ 11,66 bilhões — mais que o dobro do valor liberado. Ou seja, menos da metade dos projetos inscritos saiu do papel nesta rodada. A verba vem do National Railroad Partnership Program, criado pela lei de infraestrutura de 2021 (Infrastructure Investment and Jobs Act).
Há um detalhe que pesa no bolso de outra ponta do país: cerca de US$ 2 bilhões do pacote só sobraram porque o Departamento de Transportes cancelou uma verba federal que estava reservada para o trem de alta velocidade da Califórnia.
O que muda em cada cidade
Chicago recebe US$ 87 milhões para recuperar 17 viadutos e pontes no Canal Street Yard. Em Portland, no Maine, US$ 48,1 milhões vão realocar a estação e cortar 15 minutos do tempo de viagem. Houston ganha US$ 80,6 milhões para eliminar dois cruzamentos rodoferroviários na rota Sunset Limited. Em Nova Orleans, US$ 2,5 milhões modernizam o terminal que já viu 150 mil passageiros na temporada de Mardi Gras desde agosto de 2025.
Quem fiscaliza
Os contratos de repasse costumam prever prazos de execução e prestação de contas junto à FRA, mas o anúncio não detalhou datas de conclusão das obras nem penalidades em caso de atraso. Para o passageiro que depende dessas linhas, a pergunta que fica é simples: quando o trem novo — ou a estação sem gargalo — efetivamente chega?