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Mercado19 de ago. de 2026, 10:48

EUA podem usar big techs para influenciar eleições no Brasil, dizem especialistas

Memorando assinado por Trump autoriza operações de vigilância cibernética com empresas privadas. Analistas veem risco para o pleito de outubro em meio a tarifas e vistos cancelados.

Por Marcos Silva · Repórter de plantão

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Memorando abre porta para vigilância privada

Donald Trump assinou memorando em 12 de agosto. O texto autoriza empresas de tecnologia a participar de operações classificadas como vigilância cibernética.

Reynaldo Aragon, pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos em Comunicação, Cognição e Computação, chama o efeito de assustador. Segundo ele, o mecanismo permite acessar perfis de qualquer pessoa para montar relatórios e dossiês.

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

Aragon defende que o Brasil construa infraestrutura digital própria. Sem isso, o país fica exposto a operações externas.

Big techs como extensão de Estado

Euclides Vasconcelos, professor de história e especialista em geopolítica, vê risco concreto de novas ações dos EUA no pleito de outubro.

Para ele, big techs não são simples plataformas. São empresas ligadas a Estados e governos, capazes de mobilizar e influenciar recortes demográficos inteiros.

Vasconcelos cita o Brasil como peça-chave para os interesses estratégicos dos EUA na região.

Escalada de pressão já em curso

O alerta não nasce isolado. Washington impôs tarifa de 25% sobre produtos brasileiros nos últimos meses.

Houve também cancelamento de vistos de autoridades brasileiras. Em julho, o governo brasileiro barrou o visto de dois funcionários do Departamento de Estado americano.

A suspeita: assessores do secretário Marco Rubio pretendiam questionar o sistema eleitoral brasileiro.

Mecanismos sob observação

Especialistas listam ferramentas possíveis de operações cibernéticas. Espionagem, hackeamento e acesso não autorizado a sistemas estão entre elas.

Também entram impulsionamento artificial de perfis, disseminação de notícias falsas e produção de dossiês contra candidatos.

Meta, OpenAI e Palantir aparecem entre as empresas citadas com potencial de participação nesse tipo de operação.

Eleições de outubro no radar

O pleito geral de outubro concentra as atenções. Analistas cruzam o histórico de pressão comercial e diplomática dos EUA com o novo memorando.

A leitura corrente: a combinação de tarifas, vistos cancelados e autorização para operações cibernéticas forma um padrão de escalada contra o Brasil.

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