
EUA podem usar big techs para influenciar eleições no Brasil, dizem especialistas
Memorando assinado por Trump autoriza operações de vigilância cibernética com empresas privadas. Analistas veem risco para o pleito de outubro em meio a tarifas e vistos cancelados.
Por Marcos Silva · Repórter de plantão
Memorando abre porta para vigilância privada
Donald Trump assinou memorando em 12 de agosto. O texto autoriza empresas de tecnologia a participar de operações classificadas como vigilância cibernética.
Reynaldo Aragon, pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos em Comunicação, Cognição e Computação, chama o efeito de assustador. Segundo ele, o mecanismo permite acessar perfis de qualquer pessoa para montar relatórios e dossiês.
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
Aragon defende que o Brasil construa infraestrutura digital própria. Sem isso, o país fica exposto a operações externas.
Big techs como extensão de Estado
Euclides Vasconcelos, professor de história e especialista em geopolítica, vê risco concreto de novas ações dos EUA no pleito de outubro.
Para ele, big techs não são simples plataformas. São empresas ligadas a Estados e governos, capazes de mobilizar e influenciar recortes demográficos inteiros.
Vasconcelos cita o Brasil como peça-chave para os interesses estratégicos dos EUA na região.
Escalada de pressão já em curso
O alerta não nasce isolado. Washington impôs tarifa de 25% sobre produtos brasileiros nos últimos meses.
Houve também cancelamento de vistos de autoridades brasileiras. Em julho, o governo brasileiro barrou o visto de dois funcionários do Departamento de Estado americano.
A suspeita: assessores do secretário Marco Rubio pretendiam questionar o sistema eleitoral brasileiro.
Mecanismos sob observação
Especialistas listam ferramentas possíveis de operações cibernéticas. Espionagem, hackeamento e acesso não autorizado a sistemas estão entre elas.
Também entram impulsionamento artificial de perfis, disseminação de notícias falsas e produção de dossiês contra candidatos.
Meta, OpenAI e Palantir aparecem entre as empresas citadas com potencial de participação nesse tipo de operação.
Eleições de outubro no radar
O pleito geral de outubro concentra as atenções. Analistas cruzam o histórico de pressão comercial e diplomática dos EUA com o novo memorando.
A leitura corrente: a combinação de tarifas, vistos cancelados e autorização para operações cibernéticas forma um padrão de escalada contra o Brasil.