
EUA querem luz ciano padrão para identificar carro sem motorista
Órgão federal de trânsito dos EUA propõe luzes ciano opcionais para sinalizar quando um robotáxi está sendo guiado por software, sem ninguém no volante. A regra ainda não é definitiva e passa por consulta pública.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Um sinal para quem está na calçada, não só para quem está dentro do carro
Imagina atravessar a rua e perceber, só pela cor de uma luzinha no carro, que não há ninguém pilotando aquilo. É essa a aposta da NHTSA (National Highway Traffic Safety Administration, o órgão federal de trânsito e segurança veicular dos Estados Unidos), que no dia 23 de outubro propôs usar a cor ciano — um verde-azulado — para marcar veículos operando em modo totalmente autônomo. A proposta deve ser publicada no Federal Register em 26 de outubro e abre um período de consulta pública de 30 dias antes de qualquer decisão final.
A ideia resolve um problema que vinha sendo discutido havia anos: como um pedestre, um ciclista ou um policial em parada de trânsito sabem que aquele carro não tem motorista humano? Textos piscando no para-brisa, alertas sonoros e luzes customizadas de cada fabricante geravam só confusão. A NHTSA decidiu então padronizar: ciano foi escolhido justamente porque não se confunde com o vermelho de freio, o âmbar de seta, o branco de farol nem o azul/vermelho usado por viaturas e ambulâncias.
Quem usaria — e quem não é obrigado
Aqui está o detalhe que todo cidadão deveria notar: a luz ciano seria opcional, não uma exigência. A proposta de mudança no FMVSS 108 (a norma federal que rege iluminação veicular) permitiria que operadoras de robotáxi como Waymo — a divisão de carros autônomos do Google, hoje a maior operadora de robotáxis dos EUA — e também Zoox e Nuro, além de montadoras como GM e Mercedes-Benz, decidam se instalam o sinal ou não. Ou seja: nada garante que toda frota vá adotar o mesmo aviso.
E aí fica a pergunta que interessa a quem anda na rua, não a quem dirige a regulação: se o uso é opcional, quem fiscaliza que a luz, quando instalada, está calibrada e visível? A proposta também detalha brilho e posição mínima de montagem, mas não resolve quem vai bater o olho nisso todo santo dia.
O Brasil não tem nada parecido — e o mundo também está dividido
No Brasil, onde carros autônomos ainda são teste raro e não há frota comercial de robotáxi circulando, essa discussão nem chegou à mesa do Contran. Mas vale olhar para fora: a China avalia uma norma própria, com luz turquesa reservada a veículos de nível 3 de automação ou superior, prevista para entrar em vigor só em 2028. A Mercedes-Benz já testa luzes turquesa em veículos autônomos na Califórnia e em Nevada. Ou seja: ciano nos EUA, turquesa na China e em parte da indústria — paleta parecida, mas sem acordo global ainda.
Sobre custo de adaptação de frota, a NHTSA não detalhou valores, e nenhuma das operadoras de robotáxi comentou publicamente quanto custaria instalar ou recalibrar esse tipo de lanterna. Por ora, é só proposta: nada muda na rua até a consulta pública terminar.