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Ciência11 de set. de 2026, 20:01

Europa chega à órbita com foguete comercial e drone-foguete misterioso reaparece nos EUA

A Isar Aerospace, startup alemã, tornou-se a primeira empresa puramente comercial da Europa a colocar satélites em órbita. No mesmo período, um avião não tripulado da Aevum foi flagrado se movimentando em um aeroporto da Califórnia, mas ainda não se sabe se era um teste de voo real.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Imagine um foguete do tamanho de um prédio de dez andares decolando não da Flórida, não do Cazaquistão, mas de uma base a poucos quilômetros do Círculo Ártico — e chegando à órbita numa tacada que a Europa inteira, com décadas de programas espaciais estatais, nunca tinha conseguido fazer por meios inteiramente comerciais. Foi isso que aconteceu no dia 5 de setembro, segundo o mais recente "Rocket Report", boletim semanal do site americano Ars Technica que reúne as principais notícias do setor de lançamentos espaciais.

O marco europeu: fato confirmado

A Isar Aerospace, startup alemã fundada em 2018 por três estudantes universitários, lançou seu foguete de dois estágios chamado Spectrum a partir do Andøya Space, um spaceport norueguês dentro do Círculo Ártico. Segundo o Ars Technica e o comunicado oficial da empresa, o veículo completou toda a sequência de voo, atingiu a órbita baixa da Terra e liberou as cargas que levava a bordo: cinco cubesats — das universidades TU Berlin, Maribor (Eslovênia), NTNU (Noruega) e TU Wien, além da empresa EnduroSat — e um experimento de demonstração tecnológica da Dcubed.

Com isso, a Isar Aerospace se tornou a primeira empresa puramente comercial da Europa a colocar satélites em órbita, num feito alcançado logo em seu segundo lançamento. O primeiro teste, realizado cerca de 18 meses antes, havia terminado em explosão apenas 30 segundos após a decolagem, também na costa de Andøya.

Em comunicado, o cofundador e CEO da Isar Aerospace, Daniel Metzler, classificou o lançamento como um divisor de águas para o setor: "o lançamento continua sendo o maior gargalo da indústria espacial global e, a partir de hoje, existe uma alternativa real para clientes comerciais e institucionais", disse. Ele também comparou o ritmo da empresa ao histórico do continente: "conseguimos em poucos anos o que a indústria espacial europeia levou décadas para alcançar".

O avistamento do Ravn X: aqui começa a especulação

O segundo destaque do boletim é bem mais nebuloso — e é tratado propositalmente como pergunta, não como fato consumado, tanto pelo Ars Technica quanto pelas publicações especializadas em aviação que acompanharam o episódio. Nos dias 5 e 6 de setembro, uma aeronave preta, sem cabine de pilotagem, foi flagrada saindo de um hangar no Aeroporto de Long Beach, na Califórnia, e se movimentando pela pista. Quem registrou as imagens foi Ricky Schol, fotógrafo amador que acompanha o aeroporto há 16 anos.

A aeronave foi identificada como o Ravn X, veículo não tripulado da Aevum — companhia americana sediada em Huntsville, no Alabama, que desde 2020 promete usar o drone como primeiro estágio aéreo de um sistema de lançamento orbital em duas etapas. Com cerca de 24 metros de comprimento e 18 metros de envergadura, o Ravn X nunca voou nem lançou nada em órbita até hoje.

É aqui que a separação entre fato e hipótese importa: o CEO da Aevum, Jay Skylus, chegou a declarar que a aeronave completou seu "primeiro táxi totalmente autônomo". Mas veículos especializados em aviação, como o site americano TWZ, mantiveram ceticismo sobre o que de fato ocorreu — a empresa não confirmou publicamente se a movimentação foi um teste autônomo genuíno, um simples reboque ou uma checagem de sistemas. Segundo essas publicações, o trem de pouso da aeronave aparenta ser fixo e mais adequado à movimentação em solo do que a um voo real, o que reforça a hipótese de que o exemplar avistado ainda seja um modelo de demonstração, e não a versão operacional prometida pela empresa.

Por que isso importa

Os dois episódios, reunidos pelo Ars Technica na mesma edição do Rocket Report, ilustram o contraste do setor espacial em 2026: de um lado, uma startup europeia que saiu do papel para a órbita em poucos anos; do outro, uma promessa americana de lançamento aéreo autônomo que, seis anos depois de anunciada, ainda gera mais perguntas do que confirmações sobre seu real estágio de desenvolvimento.

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