
Europa injeta € 543 milhões em startups de foguetes; Pallas-1 estreia em breve
ESA fechou os primeiros contratos do European Launcher Challenge com Isar Aerospace, Rocket Factory Augsburg e PLD Space, enquanto a chinesa Galactic Energy prepara o lançamento do Pallas-1.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Um Pallas-1 pesa cerca de 283 toneladas na plataforma de lançamento — o equivalente a mais de 40 elefantes africanos empilhados sobre a rampa. É esse foguete, da chinesa Galactic Energy, que deve fazer seu voo de estreia em 1º de setembro, a partir de uma nova plataforma em Jiuquan, na Mongólia Interior. Ele pode colocar até 7.000 kg em órbita baixa (a cerca de 200 km de altitude) e é parcialmente reutilizável — um movimento que a China vem replicando do modelo comercial da SpaceX.
O que já está confirmado
Do outro lado do mundo, a Agência Espacial Europeia (ESA) assinou os primeiros contratos do programa European Launcher Challenge, criado em 2023 para dar à Europa alternativas ao foguete Ariane 6 sem depender de um único operador. O total confirmado até agora é de € 543,6 milhões (cerca de US$ 634 milhões), divididos entre três empresas: a alemã Isar Aerospace (€ 197,8 milhões, com aportes de Alemanha, Áustria e Noruega), a também alemã Rocket Factory Augsburg (€ 186,9 milhões) e a espanhola PLD Space (€ 158,9 milhões). Uma quarta empresa, a MaiaSpace, subsidiária da ArianeGroup, ainda negocia sua fatia.
O que ainda é hipótese
Os contratos têm uma trava clara: a "Componente A" só libera o financiamento operacional (até 2030) se cada empresa alcançar órbita até o fim de 2027 — ou seja, o dinheiro não garante sucesso técnico, apenas cofinancia a tentativa. Na reunião ministerial de Bremen, em novembro de 2025, o compromisso total do programa já havia sido ampliado para € 900 milhões, sinal de que a União Europeia trata a dependência de um único operador de lançamento como risco estratégico, não só industrial.
O pano de fundo
Na China, a Galactic Energy também vem de uma rodada robusta: captou 2,4 bilhões de yuanes (US$ 336 milhões) em uma rodada Série D anunciada em setembro de 2025 — a maior já registrada por uma startup chinesa do setor —, destinada ao Pallas-1, à variante maior Pallas-2 (capacidade de 20.000 a 58.000 kg) e ao foguete sólido Ceres-2. Dos dois lados do planeta, por razões diferentes, a corrida é pela mesma meta: reduzir o custo por quilo colocado em órbita.