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Ciência28 de ago. de 2026, 09:52

Europa injeta € 543 milhões em startups de foguetes; Pallas-1 estreia em breve

ESA fechou os primeiros contratos do European Launcher Challenge com Isar Aerospace, Rocket Factory Augsburg e PLD Space, enquanto a chinesa Galactic Energy prepara o lançamento do Pallas-1.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Um Pallas-1 pesa cerca de 283 toneladas na plataforma de lançamento — o equivalente a mais de 40 elefantes africanos empilhados sobre a rampa. É esse foguete, da chinesa Galactic Energy, que deve fazer seu voo de estreia em 1º de setembro, a partir de uma nova plataforma em Jiuquan, na Mongólia Interior. Ele pode colocar até 7.000 kg em órbita baixa (a cerca de 200 km de altitude) e é parcialmente reutilizável — um movimento que a China vem replicando do modelo comercial da SpaceX.

O que já está confirmado

Do outro lado do mundo, a Agência Espacial Europeia (ESA) assinou os primeiros contratos do programa European Launcher Challenge, criado em 2023 para dar à Europa alternativas ao foguete Ariane 6 sem depender de um único operador. O total confirmado até agora é de € 543,6 milhões (cerca de US$ 634 milhões), divididos entre três empresas: a alemã Isar Aerospace (€ 197,8 milhões, com aportes de Alemanha, Áustria e Noruega), a também alemã Rocket Factory Augsburg (€ 186,9 milhões) e a espanhola PLD Space (€ 158,9 milhões). Uma quarta empresa, a MaiaSpace, subsidiária da ArianeGroup, ainda negocia sua fatia.

O que ainda é hipótese

Os contratos têm uma trava clara: a "Componente A" só libera o financiamento operacional (até 2030) se cada empresa alcançar órbita até o fim de 2027 — ou seja, o dinheiro não garante sucesso técnico, apenas cofinancia a tentativa. Na reunião ministerial de Bremen, em novembro de 2025, o compromisso total do programa já havia sido ampliado para € 900 milhões, sinal de que a União Europeia trata a dependência de um único operador de lançamento como risco estratégico, não só industrial.

O pano de fundo

Na China, a Galactic Energy também vem de uma rodada robusta: captou 2,4 bilhões de yuanes (US$ 336 milhões) em uma rodada Série D anunciada em setembro de 2025 — a maior já registrada por uma startup chinesa do setor —, destinada ao Pallas-1, à variante maior Pallas-2 (capacidade de 20.000 a 58.000 kg) e ao foguete sólido Ceres-2. Dos dois lados do planeta, por razões diferentes, a corrida é pela mesma meta: reduzir o custo por quilo colocado em órbita.

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