
Europa lança versão para PC do Euro-Office, rival do Microsoft Office
Suíte open source apoiada por consórcio europeu chega ao desktop nas próximas semanas, ampliando a ofensiva por soberania digital que já rendia acesso via navegador.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Uma versão a mais, um adversário a menos para depender dos EUA
Três meses depois de estrear como aplicativo de navegador, o Euro-Office ganha versão para desktop. É o que anuncia a Nextcloud, empresa alemã de armazenamento em nuvem que integra o consórcio por trás do projeto, com lançamento previsto para as próximas semanas.
O Euro-Office reúne mais de uma dezena de empresas e comunidades europeias de tecnologia — entre elas a própria Nextcloud, a IONOS (provedora alemã de nuvem e hospedagem), a XWiki, a OpenProject e a Eurostack — em torno de um objetivo comum: oferecer a órgãos públicos, universidades e empresas do continente uma alternativa ao Microsoft Office que não dependa de servidores nem de licenciamento americano.
O que a suíte entrega
A plataforma é formada por quatro aplicativos principais: editor de texto, planilha, apresentações e editor de PDF. Todos leem e gravam formatos populares do pacote da Microsoft, como DOCX, XLSX e PPTX, além dos formatos abertos ODT, ODS e ODP — o que permite migração sem perda de compatibilidade com arquivos já existentes.
Segundo a Nextcloud, a nova versão para PC promete processamento mais rápido de comandos e novos mecanismos de filtragem de pastas, além de manter sincronização entre o app de desktop e a versão web, algo essencial para quem trabalha em equipe.
O pano de fundo: soberania digital
O lançamento se encaixa numa estratégia mais ampla da União Europeia para reduzir a dependência de fornecedores de tecnologia dos Estados Unidos — motivada por preocupações com privacidade de dados, custos de licenciamento e risco geopolítico de ter infraestrutura crítica hospedada fora do bloco. Iniciativas como o Euro-Office fazem parte de um movimento que já inclui esforços de governos europeus por migrar sistemas públicos para software livre.
A pergunta que fica é se o desempenho e a curva de adoção vão convencer instituições acostumadas ao ecossistema da Microsoft, hoje praticamente onipresente em repartições públicas e empresas europeias. Por ora, o Euro-Office aposta que a compatibilidade de formatos e o discurso de independência tecnológica bastam para conquistar os primeiros usuários corporativos e governamentais.