
Eutelsat investe € 1 bi em 229 satélites para enfrentar a Starlink
A Eutelsat vai investir cerca de € 1 bilhão (R$ 6 bi) na compra de 229 satélites adicionais da Airbus para expandir a rede OneWeb e competir com a Starlink de Elon Musk.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
€ 1 bilhão é o cheque que a Eutelsat assina para não ficar para trás da Starlink
O valor, cerca de R$ 6 bilhões na conversão atual, é o que a Eutelsat, operadora europeia de internet via satélite formada pela fusão com a OneWeb e apelidada de “Starlink da Europa”, vai investir na compra de mais 229 satélites de órbita baixa junto à Airbus. A empresa assinou uma autorização para início dos trabalhos industriais durante o International Space Summit, em Paris.
A escala ainda é um abismo
Foto: reprodução/eutelsat.com
Os 229 satélites somam-se aos 440 já encomendados anteriormente à Airbus, totalizando 669 unidades novas contratadas com a fabricante. A entrega começa no próximo trimestre, com expansão gradual programada até 2034. Hoje a constelação OneWeb já opera mais de 600 satélites em órbita — número que, mesmo depois do novo pedido, segue muito atrás dos mais de 11 mil satélites que a Starlink, de Elon Musk, tem em operação. A diferença de escala explica por que a comparação entre as duas soa mais aspiracional do que literal neste momento.
Uma estratégia diferente, não só um número menor
A Eutelsat não está tentando replicar o modelo da Starlink satélite por satélite. Enquanto a rede de Musk mira diretamente o consumidor final, a europeia concentra sua oferta em governos, empresas e operadoras de telecomunicações — um mercado B2B e institucional onde a soberania de conectividade pesa mais que o preço por assinatura residencial. O CEO da Eutelsat, Jean-François Fallacher, associou a expansão ao programa europeu IRIS², de conectividade soberana, dizendo que o pedido “traz capacidade nova significativa” para o continente. Já o CEO da Arianespace, David Cavaillolès, destacou que o acordo demonstra a capacidade do foguete Ariane 6 para sustentar constelações de órbita baixa em larga escala — a empresa foi contratada para dois lançamentos dedicados à OneWeb, em 2027 e 2028, a partir da Guiana Francesa.
Quem ganha e quem perde
Quem ganha é a soberania digital europeia: o bloco reduz dependência de infraestrutura americana em conectividade crítica para governos e telecons, e a Airbus fatura um contrato robusto que reforça sua posição como fabricante-chave da constelação. A Arianespace também sai fortalecida, com lançamentos garantidos até o fim da década.
Quem perde, por ora, é a velocidade de resposta à Starlink: mesmo com o novo aporte, a Eutelsat segue com uma fração do tamanho da rede de Musk, e a disputa direta pelo consumidor final permanece fora do radar imediato da europeia.