
Even Healthcare capta US$ 50 milhões e triplica valuation para US$ 300 mi
Startup indiana que cobra por resultado clínico, e não por procedimento, fecha Série B liderada pela Khosla Ventures para abrir mais hospitais em Bengaluru.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa
A Even Healthcare, rede hospitalar indiana fundada em 2021 que cobra por resultado clínico em vez de por procedimento realizado, fechou uma rodada Série B de US$ 50 milhões, só em ações. A liderança ficou com a Khosla Ventures, fundo de capital de risco americano fundado por Vinod Khosla, ex-executivo da Sun Microsystems e um dos primeiros grandes apostadores em biotecnologia e energia no Vale do Silício, com participação da Alpha Wave, gestora de investimentos ligada ao fundo soberano de Abu Dhabi. O aporte triplicou o valuation da startup em 18 meses, para US$ 300 milhões, e levou o total captado pela companhia a mais de US$ 120 milhões.
Por que o modelo é diferente
No setor hospitalar indiano, grande parte da receita vem de exames, procedimentos e internações mais longas — mesmo quando não são necessários. A Even Healthcare construiu dois hospitais próprios em Bengaluru, nas regiões de Race Course Road e HBR Layout, com médicos assalariados em vez de comissionados por procedimento, numa tentativa de alinhar o incentivo financeiro ao resultado do paciente.
Os números por trás da aposta
A empresa diz operar com taxa de readmissão não planejada abaixo de 1%, contra 8% a 15% da média do setor, e tempo de internação 40% menor. Já soma 250 mil usuários cadastrados e mais de 750 mil atendimentos desde a fundação, com cerca de 650 funcionários, 300 deles médicos em tempo integral. Em 2025, a receita foi de US$ 2,86 milhões, mas o prejuízo chegou a US$ 9,5 milhões — e a empresa cortou 350 funcionários em agosto, sinal de que o modelo ainda custa caro para escalar.
Quem ganha e quem perde
Seguradoras dizem ter economizado o equivalente a US$ 5,27 milhões com a abordagem, o que explica o apetite de fundos como Khosla Ventures e Alpha Wave. Pacientes ganham, em tese, menos exames desnecessários. Já hospitais tradicionais da região, que lucram com o volume de procedimentos, perdem participação de mercado se o modelo pegar tração. O dinheiro vai abrir mais um hospital em Bengaluru até o fim de 2026 e outros três até o fim do ano fiscal seguinte, saindo dos dois atuais para seis.
O que falta responder
A empresa ainda não mostrou como pretende transformar prejuízo em lucro fora de Bengaluru, nem se o modelo resiste em cidades menores, com menos renda e menos convênios. Por ora, a aposta da Khosla Ventures é que o problema é real — a conta de quem vai pagar por ele ainda está em aberto.