tech & talk
Mercado27 de out. de 2026, 17:37

Evernote sobe assinatura para US$ 250/ano e usuários fiéis reavaliam o app

Sob o comando da italiana Bending Spoons, o Evernote encareceu seu plano principal de US$ 130 para US$ 250 por ano — quem usa o app desde 2008 já paga até 10 vezes mais do que pagava então.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

Compartilhar

De ferramenta baratinha a assinatura premium

O Evernote, aplicativo de notas que virou sinônimo de produtividade digital na década de 2010, elevou o preço do seu plano mais avançado para US$ 250 por ano — um salto de aproximadamente 92% em relação aos US$ 130 cobrados até pouco tempo atrás. Para quem acompanha o serviço desde o lançamento, em 2008, o valor atual chega a ser 10 vezes maior do que a assinatura anual cobrada entre 2008 e 2016, segundo reportagem da Ars Technica.

O reajuste é o segundo movimento forte de preços do app em poucos anos. Em abril de 2023, a assinatura pessoal anual já havia subido de cerca de US$ 70 para US$ 130 — alta de mais de 80%. Em 2026, a estrutura de planos foi reorganizada de novo: o Evernote passou a oferecer o nível Starter, por US$ 99 ao ano, e o Advanced, por US$ 250, além de descontinuar os antigos planos Personal e Professional. O plano gratuito também foi espremido, com limite de poucas notas e poucos dispositivos conectados simultaneamente.

A mão da Bending Spoons

Por trás da escalada de preços está a Bending Spoons, empresa italiana de tecnologia fundada em Milão em 2013 e que estreou na Nasdaq em julho de 2026, após um IPO que levantou US$ 1,68 bilhão. A companhia comprou o Evernote em 2023 justamente pela base de usuários que o aplicativo acumulou — cerca de 200 milhões de contas registradas, com cliente médio usando o serviço há 7,2 anos.

O modelo de negócio da Bending Spoons é conhecido no mercado de tecnologia: a empresa adquire softwares SaaS maduros com base de clientes cativa, corta custos (incluindo demissões) e, na sequência, aumenta os preços das assinaturas, apostando que o custo de migração para outra plataforma seja alto o suficiente para reter a maior parte dos usuários. A companhia já aplicou estratégia parecida em outros aplicativos do seu portfólio, como o Vimeo, e planeja seguir fazendo aquisições em ritmo acelerado.

Usuários divididos entre ficar e migrar

A reação do público ficou, segundo a Ars Technica, "dividida ao meio". Parte dos usuários aceitou pagar mais para não perder anos de notas e organização acumulada no app; outra parte decidiu migrar para concorrentes como Notion, Microsoft OneNote, Obsidian e Apple Notes.

Um exemplo citado é o do analista Lloyd Walmsley, do banco Mizuho, que considerou trocar o Evernote pelo OneNote, mas desistiu porque, na sua avaliação, "o preço não é alto o suficiente em relação ao custo de migrar" todo o histórico de anotações para outra ferramenta. É exatamente esse tipo de cálculo — e não necessariamente satisfação com o produto — que tem sustentado a base de assinantes do Evernote mesmo após sucessivos aumentos de preço.

evernotebending spoonsassinaturasaplicativospreços
Compartilhar