
Evvy capta US$ 40 milhões para mapear o microbioma vaginal com IA
A rodada Série B liderada pela Catalio Capital eleva para quase US$ 60 milhões o total captado pela startup, que já testou mais de 100 mil pacientes e quer usar inteligência artificial para preencher uma lacuna histórica de dados sobre saúde da mulher.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 40 milhões é o cheque que a Evvy recebeu para expandir sua base de dados
A Evvy, startup americana que oferece testes de microbioma vaginal por sequenciamento genético, fechou uma rodada Série B de US$ 40 milhões liderada pela Catalio Capital Management, gestora de venture capital focada em ciências da vida. Somado a captações anteriores — incluindo uma Série A de US$ 14 milhões em 2023 —, o total levantado pela empresa desde a fundação, em 2021, chega a quase US$ 60 milhões em três rodadas.
Quem entrou na rodada
Além da líder Catalio, participaram a U.S. Fertility, rede de clínicas de fertilidade administrada por médicos, por meio de seu fundo U.S. Fertility Innovation Fund, e a Labcorp Venture Fund, braço de investimento de uma das maiores redes de laboratórios clínicos dos Estados Unidos e investidora recorrente da Evvy. Também renovaram aporte investidoras já presentes na base acionária, como General Catalyst, Left Lane Capital, BBG Ventures, Amboy Street Ventures, Ingeborg e Foreground Capital. A empresa não divulgou o valuation resultante da rodada.
Para que servem os recursos e o que está em jogo
O dinheiro vai bancar a expansão da EvvyAI, plataforma de dados e inteligência artificial que sustenta o negócio de saúde vaginal da empresa. A Evvy já testou mais de 100 mil pacientes e trabalha com uma rede de 3 mil profissionais de saúde, reunindo o que descreve como o maior banco de dados proprietário do mundo sobre microbioma vaginal e desfechos de saúde da mulher — incluindo centenas de genomas vaginais até então não catalogados pela ciência, resultado que já gerou 15 publicações revisadas por pares.
A fundadora e CEO Priyanka Jain resume o problema que a empresa diz atacar: "você não pode construir medicina de precisão para mulheres com dados que nunca mediram adequadamente a biologia feminina". É a tese que sustenta o apetite de fundos como a Catalio por uma área historicamente sub-representada em pesquisa clínica — a chamada femtech, saúde voltada para o público feminino.
Quem ganha com a rodada é a própria Evvy, que ganha músculo para consolidar posição num nicho ainda pouco disputado por grandes players de diagnóstico. Também sai fortalecida a tese de investimento em femtech, num momento em que fundos de life sciences como a Catalio buscam ativos com dado proprietário difícil de replicar. Quem fica no radar são concorrentes e grandes laboratórios que ainda não têm equivalente em escala ao banco de dados de microbioma vaginal que a Evvy vem construindo desde 2021.