
Ex-a16z, Vijay Pande troca US$ 4 bi por fundo de 5 apostas ao ano
Depois de comandar o fundo de biotecnologia de US$ 4 bilhões da a16z, Vijay Pande lança a VZVC com Zach Werner: só dois sócios, sem associates e cerca de 5 investimentos por ano — contra as 30 apostas de um fundo tradicional.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Cinco apostas contra trinta
Cinco. É esse o número de investimentos por ano que Vijay Pande pretende fazer na VZVC, a firma que fundou ao lado de Zach Werner depois de comandar o fundo de biotecnologia e saúde da a16z, que chegou a administrar cerca de US$ 4 bilhões. "We're not doing 30 bets a year" (não estamos fazendo 30 apostas por ano), resumiu Pande — um recado direto ao modelo tradicional de venture capital, em que fundos maiores diluem risco pulverizando cheques em dezenas de startups.
A mudança de escala é proposital. Na VZVC não há associates: só os dois sócios fundadores decidindo em quais empresas entrar. Segundo Pande, o critério de seleção lembra mais uma decisão de vida do que uma linha de portfólio: "Adding a company at a typical fund is like adding a Facebook friend… For Zach and I, it's more like wanting to have another child. This is a big deal for us."
Quem ganha com o corte de escala
Ganham as startups que entrarem no radar da dupla: com poucas apostas por ano e dois sócios full-time no acompanhamento, a promessa é de atenção mais próxima do fundador — o oposto do volume que caracterizava a operação bilionária da a16z. Segundo o STAT News, a VZVC está captando seu primeiro fundo, que pode chegar a US$ 400 milhões — uma fração do capital que Pande geria antes, mas ainda um cheque robusto para uma gestora recém-criada, com foco declarado em IA aplicada à saúde, atendimento clínico e ensaios clínicos.
Quem perde é o modelo de fundo generalista que aposta no volume para compensar a taxa de mortalidade do setor. Pande lembra que a barreira em biotecnologia continua alta: apenas 20% dos fármacos que entram na fase 1 de testes clínicos chegam à fase 3, num processo que consome centenas de milhões de dólares. Para ele, isso torna o hype de que "a IA vai curar tudo" um exagero que ainda não resiste ao funil regulatório e clínico real.
O pano de fundo na a16z
Pande deixou a a16z em junho do ano passado. Ele havia sido convidado por Marc Andreessen e Ben Horowitz para liderar a prática de bio e saúde da gestora depois que os fundadores passaram os primeiros cinco anos da firma evitando o setor — hoje um dos pilares de aposta em IA aplicada à ciência da vida. Com a VZVC, a tese não muda de setor, mas muda de tamanho: menos cheques, menos sócios, e a bilionária carteira anterior trocada por um fundo em captação que deve ficar bem abaixo dos US$ 4 bilhões movimentados na gestora anterior.