
Ex-CEO do GitHub lança Entire, plataforma rival para IA e humanos
Thomas Dohmke, que comandou o GitHub até 2025, lançou a Entire, plataforma que substitui pull requests por "Trails" e promete integrar agentes de IA ao fluxo de desenvolvimento. A startup já levantou US$ 60 milhões em rodada seed.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Ex-chefe do GitHub mira a própria ex-empresa
Thomas Dohmke, que foi CEO do GitHub (plataforma de hospedagem de código comprada pela Microsoft em 2018) entre 2021 e 2025, lançou nesta semana a Entire, uma plataforma de hospedagem e colaboração em código que concorre diretamente com sua antiga empresa. O lançamento oficial ocorreu na semana de 26 de outubro, meses depois de a startup ter sido apresentada em julho.
A proposta da Entire é se tornar "a primeira plataforma Git criada para agentes e humanos trabalharem juntos", segundo o anúncio da empresa. O objetivo é dar velocidade suficiente para que equipes integrem mudanças de código na mesma rapidez com que agentes de IA as produzem — um gargalo cada vez mais citado por times de engenharia que já usam IA para programar.
Foto: reprodução/cnbc.com
Trails no lugar do pull request
O principal diferencial da Entire é a substituição do modelo tradicional de pull request por um mecanismo chamado "Trails" (trilhas). Em vez de registrar apenas o que mudou no código, as Trails documentam também como e por que a mudança foi feita, usando agentes de IA para pontuar cada alteração — o que, segundo a empresa, permite que desenvolvedores façam merge sem precisar revisar linha por linha.
A plataforma roda sobre um novo servidor de controle de versão compatível com Git, que a Entire afirma ser até 89 vezes mais rápido que o GitHub e seis vezes mais rápido que o Cursor Origin, concorrente direto no mesmo segmento.
Modelo de negócio e financiamento
O uso de repositório e das Trails é gratuito; já o uso de agentes de IA depende de créditos pagos, e novas contas recebem US$ 100 em créditos de boas-vindas como bônus de lançamento.
A Entire não chegou de mãos vazias: em fevereiro, a startup anunciou uma rodada seed de US$ 60 milhões, avaliando a empresa em cerca de US$ 300 milhões — uma das maiores rodadas iniciais já registradas no setor de ferramentas para desenvolvedores. A rodada foi liderada pela Felicis, com participação da Madrona, da M12 (braço de venture capital da Microsoft) e da Basis Set, além de investidores-anjo como Gergely Orosz, Theo Browne, Jerry Yang, Olivier Pomel e Garry Tan.
Quem ganha e quem perde
Dohmke deixou o GitHub em meio à decisão da Microsoft de integrar a plataforma mais diretamente à divisão CoreAI, focada em IA. Durante sua gestão, o GitHub mais que dobrou a base de usuários e passou a faturar mais de US$ 2 bilhões por ano, impulsionado pelo Copilot. Agora, ao lançar uma concorrente direta com apoio da própria M12, ele testa se o mercado de ferramentas de desenvolvimento tem espaço para um desafiante que promete reinventar — e não apenas copiar — o fluxo de trabalho que o GitHub consolidou há quase duas décadas.