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Mercado19 de set. de 2026, 11:02

Ex-CFO da Waymo assume finanças da rival britânica Wayve

Elisa de Martel deixou a diretoria financeira da empresa de carros autônomos do Google em janeiro após rodada de US$ 5,6 bi; agora comanda o caixa de uma concorrente avaliada em US$ 8,6 bilhões.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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De uma avaliação de US$ 45 bi para outra de US$ 8,6 bi

Elisa de Martel trocou a Waymo, empresa de carros autônomos da Alphabet (controladora do Google), pela britânica Wayve, concorrente direta no mercado de direção autônoma. A executiva foi CFO da Waymo entre 2022 e janeiro de 2026, período em que a empresa iniciou operação comercial em várias cidades americanas e captou US$ 5,6 bilhões em uma rodada Série C que elevou sua avaliação a mais de US$ 45 bilhões. Agora ela assume o mesmo cargo na Wayve, que fechou fevereiro deste ano com rodada Série D de US$ 1,2 bilhão e valuation de US$ 8,6 bilhões — menos de um quinto do valor de mercado atribuído à ex-empregadora, mas ainda assim um dos maiores cheques do setor de veículos autônomos fora dos Estados Unidos.

A nova sede de operação de De Martel será o Vale do Silício, em Sunnyvale, ainda que a Wayve tenha origem e base em Londres. Antes da Waymo, ela passou 11 anos como diretora de finanças de manufatura na Apple e depois foi CFO da Carbon, fabricante de impressoras 3D industriais — uma trajetória que combina experiência em hardware de precisão com gestão financeira de operações em escala.

Foto: reprodução/cnbc.com

Quem ganha e quem perde com a contratação

A Wayve sai na frente ao contratar uma executiva que geriu o balanço da líder de mercado justamente na fase mais delicada — a virada de empresa de pesquisa para operação comercial. A startup britânica já rodou um piloto supervisionado de robotáxi em Londres com a Uber, lançado em 3 de setembro com cerca de 15 veículos Ford Mustang Mach-E, e tem parcerias com montadoras como Nissan e Stellantis, além de investimento da própria Uber, Microsoft e Nvidia na última rodada. A tecnologia da empresa dispensa mapas de alta definição e hardware customizado, apostando em redes neurais ponta a ponta — uma diferença estratégica em relação a rivais que dependem de sensores caros e mapeamento prévio de cada rota.

Já a saída de De Martel reforça uma sequência de mudanças na cúpula da Waymo neste ano, num momento em que a empresa do Google enfrenta concorrência crescente de rivais mais enxutas e com apoio de fabricantes de automóveis tradicionais. Na Wayve, ela substitui Max Warburton, CFO desde 2024, que migra para um papel de consultoria estratégica dentro da própria empresa — uma transição amigável que sugere planejamento de sucessão, não ruptura.

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