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Ciência26 de set. de 2026, 16:40

Ex-chefe da NASA acusa China de mirar 'alto terreno' do século 21

Em memórias a sair em 2027, Bill Nelson, que comandou a NASA de 2021 a 2025, afirma que o programa lunar chinês esconde uma disputa por domínio estratégico, não exploração científica.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Pra escala humana: imagine duas potências correndo para o mesmo pedaço de terra do tamanho de uma cidade pequena — só que essa cidade fica no polo sul da Lua, tem gelo de água escondido nas crateras e nenhuma das duas quer chegar em segundo lugar. É essa a imagem que Bill Nelson, que dirigiu a NASA entre maio de 2021 e janeiro de 2025 no governo Biden, usa para descrever a disputa entre Estados Unidos e China pelo satélite natural da Terra.

O que é declaração (fato confirmado)

Segundo reportagem da Ars Technica, Nelson — ex-deputado e ex-senador pela Flórida que também voou como especialista de missão em um ônibus espacial em 1986 — faz essas afirmações em um livro de memórias, "Space Odyssey", com lançamento previsto pela editora Harper Horizon para janeiro de 2027. É dele a frase que dá título à polêmica: "a estratégia pretendida por Pequim é dominar o alto terreno do século 21".

No livro, Nelson relembra o episódio do balão espião chinês que sobrevoou o território americano no início de 2023 — quando a NASA ajudou as Forças Armadas dos EUA a derrubá-lo com segurança usando sua expertise em modelagem de correntes atmosféricas — como prova de que o país já vive uma competição de alto risco com a China. Ele também escreve que o programa espacial chinês é "militarizado e extremamente sigiloso" e que "a China não é uma parceira confiável".

O que é alarme político (interpretação e especulação)

Aqui a linha entre fato e alerta estratégico fica mais tênue. Nelson afirma que a China está montando "infraestrutura para permanência lunar" no polo sul da Lua — região com os recursos mais concentrados — e que Pequim "não está correndo para plantar mais uma bandeira; está se preparando para uma maratona". São interpretações do ex-administrador sobre as intenções chinesas, não declarações oficiais de Pequim reproduzidas na reportagem.

O que dizem os cronogramas

Nos fatos verificáveis: a NASA, sob o atual administrador Jared Isaacman, mira 2028 para a missão Artemis IV, primeiro pouso humano do programa. Isaacman disse recentemente que a agência está reavaliando parcerias internacionais para garantir acesso às melhores áreas do polo sul lunar antes da China — que, segundo reportagens independentes, testa em 2026 o foguete Long March 10 e a cápsula Mengzhou, mirando um pouso tripulado entre 2029 e 2030.

Nelson resume o temor no livro: se os EUA perderem essa corrida, "veremos a nova fronteira escapar das nossas mãos".


Atualização (24/09, 15:41): Atualização: O atual administrador da NASA, Jared Isaacman, afirmou publicamente estar preocupado com a possibilidade de a China negar o acesso dos Estados Unidos a partes do polo sul lunar caso os chineses cheguem primeiro à região. Segundo reportagem da Ars Technica, Isaacman disse: "Se você ficar aquém de quem desce a escada primeiro, o impacto é sentido ao redor do mundo."

A declaração está ligada à disputa por zonas de pouso privilegiadas no polo sul da Lua, onde há gelo de água acessível e exposição solar prolongada — recursos considerados essenciais para futuras bases lunares. Isaacman citou a Cratera Shackleton, que abriga regiões permanentemente sombreadas ("cold traps") com potencial acúmulo de gelo, como um dos poucos pontos mais cobiçados da área, e mencionou que a missão chinesa Chang'e 7, planejada para pousar num desses locais, sofreu atraso — abrindo uma janela para que os EUA cheguem primeiro.

O administrador da NASA argumentou que protocolos de segurança para pousos lunares exigem perímetros de exclusão de 1 a 5 quilômetros ao redor das naves, o que significa que o primeiro país a se estabelecer na região poderia, na prática, impedir o acesso de rivais aos melhores sítios do polo sul.

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