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Mercado23 de out. de 2026, 09:32

Ex-cientista-chefe da OpenAI capta US$ 215 mi para robotizar laboratórios

Kevin Weil deixou a OpenAI e levantou US$ 215 milhões, avaliando a Warp Science em US$ 865 milhões, para treinar robôs com câmeras e luvas sensoriais a fazer química de laboratório 24 horas por dia.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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US$ 215 milhões é o cheque que tira a ideia do papel

Kevin Weil, que até abril liderava a área de ciência da OpenAI, empresa dona do ChatGPT, saiu de lá e levantou US$ 215 milhões para a Warp Science, avaliando a startup em US$ 865 milhões já com o aporte novo. A rodada foi liderada pela Lightspeed Venture Partners, com participação de IVP, Mayfield, Lux Capital, Premji Invest e Menlo Ventures, além de investidores-anjo como a diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar, o CEO da Coinbase, Brian Armstrong, plataforma americana de compra e venda de criptomoedas, e o cofundador do LinkedIn, Reid Hoffman.

O que a Warp Science realmente vende

O negócio é treinar robôs para sintetizar e testar compostos moleculares identificados por pesquisadores, automatizando a etapa de química de laboratório ligada à descoberta de fármacos. A proposta de valor é operacional: os robôs podem funcionar ininterruptamente, 24 horas por dia, acelerando um processo que hoje depende de químicos humanos trabalhando em turnos. Para treinar esses robôs, os próprios químicos da empresa usam câmeras e luvas com sensores de pressão durante os experimentos, gerando os dados que alimentam os modelos de IA da companhia.

Weil não está sozinho na fundação: os cofundadores são Manohar Paluri, ex-vice-presidente do laboratório de superinteligência da Meta, e DJ Patil, que foi o primeiro cientista-chefe de dados da Casa Branca.

Quem ganha e quem perde com a automação

O alvo declarado é reduzir a dependência de empresas farmacêuticas em relação a contratadas de química sintética baseadas na China, como a WuXi AppTec — hoje um dos maiores prestadores terceirizados desse tipo de serviço para o setor farmacêutico global. Ao construir um laboratório automatizado nos Estados Unidos, a Warp Science ataca diretamente esse elo da cadeia, oferecendo às farmacêuticas uma alternativa doméstica e, supostamente, livre de risco geopolítico.

Quem ganha, em tese, são as farmacêuticas que buscam reduzir exposição a fornecedores asiáticos e acelerar o ciclo de descoberta de medicamentos. Quem sente a pressão são justamente as contratadas chinesas de química sintética, que veem nascer um concorrente direto financiado com quase um quarto de bilhão de dólares e o capital de reputação de um ex-executivo da OpenAI à frente.

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