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Games23 de out. de 2026, 10:14

Ex-dev da Capcom culpa Code Veronica pela pior fase de Resident Evil

Miguel Corti, que passou pela produtora japonesa, apontou Code Veronica como o ponto de virada que empurrou a série para o exagero de ação visto em RE5 e RE6, antes da retomada do terror com RE7.

Por Théo Ramos · Repórter de Games

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Quem falou e por quê isso pesa

Miguel Corti não é um fã qualquer soltando opinião na internet: ele entrou na Capcom — a produtora japonesa por trás de Resident Evil, Street Fighter e Monster Hunter — em 2007 e chegou a senior manager of global production. Ou seja, viu por dentro boa parte da fase que ele mesmo classifica como a pior da franquia de terror. Em posts que fez nas redes sociais (depois apagados, mas já replicados por vários veículos, incluindo o Canaltech), Corti jogou a culpa diretamente em Resident Evil Code Veronica.

O argumento: tudo começou no Dreamcast

Foto: reprodução/gamingbolt.com

Segundo Corti, existe "uma linha direta de CV para RE5 e RE6". A tese dele é que Code Veronica foi o game onde a série "saiu dos trilhos ao tentar caber quantas locações e tramas possível num disco de Dreamcast". Na prática, o jogo de 2000 tentou abraçar cenários demais e uma trama inchada, e isso teria normalizado um caminho mais espetaculoso — e menos claustrofóbico — para os títulos seguintes.

Tem até uma cutucada na abertura cinematográfica de Code Veronica, que segundo ele lembra mais um filme de ação estilo Duro de Matar do que survival horror. E Corti reconhece que está nadando contra a maré da comunidade: muita gente considera Code Veronica o melhor game pré-RE4, enquanto ele defende que Resident Evil 2 é muito superior. Ele próprio admite o viés: "sem sombra pros fãs de CV, mas ver o impacto negativo direto que teve na franquia me deixa enviesado contra ele".

RE5, RE6 e a virada com RE7

Foto: reprodução/arkade.com.br

A consequência, na visão de Corti, foram RE5 e RE6 — os jogos mais citados quando o assunto é a franquia perder a identidade de terror psicológico e virar tiro-e-porrada cooperativo. É o papo clássico que qualquer um que acompanha Resident Evil desde os anos 2000 já teve com os amigos: em que momento a série trocou o medo pelo escape de barril explosivo?

A boa notícia, segundo ele mesmo aponta, é que a Capcom corrigiu a rota. RE7, lançado em 2017, trouxe de volta o clima de terror com cenários mais contidos. Village manteve a ação em doses variadas, e a leitura é de que a franquia, hoje, encontrou um equilíbrio mais maduro entre sustos e adrenalina — puxado também pela onda de remakes que resgatou o DNA clássico da série.

O que fica da polêmica

Vale lembrar: são declarações de um ex-funcionário, feitas em redes sociais e já removidas, não um posicionamento oficial da Capcom. Mas o debate toca numa ferida real do fandom — a eterna discussão sobre até onde Resident Evil pode se transformar em ação sem deixar de ser survival horror.

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