
Ex-engenheiros da SpaceX levantam US$ 15 milhões para fábrica robótica de aço
A startup 1872, fundada por três ex-engenheiros da SpaceX, fechou rodada seed de US$ 15 milhões e abriu em Cincinnati o que descreve como a primeira fábrica autônoma de fabricação de aço dos EUA.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 15 milhões. Foi esse o valor da rodada seed que a 1872, startup fundada por três ex-engenheiros da SpaceX (empresa de Elon Musk), fechou para abrir em Cincinnati, nos Estados Unidos, o que a empresa chama de primeira fábrica autônoma de fabricação de aço do país. A rodada foi liderada por fundos privados assessorados pelo The O.H.I.O. Fund e está entre as maiores captações seed já registradas no estado de Ohio.
Os fundadores — Dan Summers (CEO), Michael Grant e Brian Mongilio — vêm da linha de produção dos motores Raptor da SpaceX, usada nos foguetes Starship. Batizada em homenagem a 1872, ano em que Andrew Carnegie ergueu a primeira grande usina siderúrgica dos EUA, a empresa aposta que a mesma disciplina de operações "nível lançamento espacial" usada para construir foguetes pode destravar um dos gargalos mais antigos da manufatura: a soldagem industrial.
Como funciona a fábrica
A plataforma da 1872, chamada Factory OS, recebe projetos 3D, planeja materiais e logística, programa máquinas e coordena sistemas de soldagem robótica fornecidos pela Path Robotics, empresa de Columbus (Ohio) especializada em automação de solda com o modelo de IA Obsidian. Andy Lonsberry, executivo da Path Robotics, resume o desafio que as duas empresas tentam resolver: "a soldagem continua sendo um dos processos de manufatura mais difíceis de automatizar".
A fábrica começa produzindo skids de aço — estruturas retangulares usadas como base para construções modulares, data centers de IA e pequenos reatores nucleares modulares. A meta é reduzir prazos de entrega que hoje levam meses ou anos para semanas, com operação totalmente autônoma prevista para 2027.
Quem ganha e quem perde
Quem ganha, no discurso da 1872, é um mercado de produtos de aço fabricado nos EUA avaliado em cerca de US$ 350 bilhões por ano, hoje pressionado por uma projeção de déficit de 320 mil soldadores até 2030. Para o setor, robôs que soldam com supervisão mínima soam como resposta à escassez de mão de obra qualificada, não necessariamente como substituição em massa — pelo menos no discurso da empresa.
Já quem tende a perder espaço é a fabricação artesanal de pequena escala, incapaz de competir em prazo e custo com uma fábrica que promete cronogramas encolhidos de anos para semanas. Também fica em xeque a tese de que startups de hardware físico dependem só de capital pesado: com US$ 15 milhões, a 1872 aposta que automação inteligente pode acelerar um setor historicamente lento a se digitalizar — desde que a tecnologia de solda robótica, ainda em maturação, entregue o prometido em escala real de produção.