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IAMercado13 de set. de 2026, 11:48Atualizada em 14 de set. de 2026, 19:01

Ex-funcionários da EPA alertam sobre poluição dos data centers de IA

Relatório de grupo com mais de 800 ex-servidores da agência ambiental dos EUA projeta milhares de mortes prematuras até 2028 se o afrouxamento de regras continuar.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Em bom português: o que está em jogo

Data center de inteligência artificial não é só servidor e chip — é também usina, gerador a diesel e uma conta de energia que, em algum lugar, produz poluição. Um relatório assinado pela Environmental Protection Network, organização que reúne mais de 800 ex-funcionários da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), afirma que o governo Trump está afrouxando regras ambientais justamente para acelerar a construção desses data centers.

Os números por trás do alerta

Segundo a projeção citada no relatório, divulgado em 10 de setembro de 2026, a poluição ligada à demanda elétrica dos data centers pode contribuir para cerca de 600 mil casos de sintomas de asma, 1.300 mortes prematuras e mais de US$ 20 bilhões em custos anuais de saúde pública até 2028 — e essa conta nem inclui o efeito do afrouxamento regulatório mais recente. O grupo mapeou 30 ações federais do governo Trump que, segundo eles, aumentam o risco de poluição associado à abertura de novas instalações, além de cortes de cerca de 25% no quadro da EPA, que tinha mais de 16 mil funcionários antes de janeiro de 2025.

Os dois lados da história

Do lado da Casa Branca, o argumento é o de sempre em corrida tecnológica: menos entrave regulatório significa data center pronto mais rápido, o que significa não ficar para trás na disputa por IA com a China. É a mesma lógica usada para liberar licenciamento ambiental expresso para usinas que alimentam esses complexos.

Do lado dos ex-servidores da EPA, o argumento é que a conta de saúde pública — hospital cheio, criança com crise de asma, gasto extra do sistema de saúde — é paga por gente que não tem ação nenhuma nas empresas de IA que se beneficiam dos data centers. É a velha equação de custo compartilhado sem benefício compartilhado.

O que ainda falta responder: quais comunidades especificamente vão conviver com essas usinas e geradores extras vizinhos, e se algum desses 30 recuos regulatórios será revertido antes de 2028 — data em que a própria projeção do relatório vence.


Atualização (14/09, 19:01): A agência ambiental dos EUA eliminou os limites de emissão de gases-estufa de usinas termelétricas, movimento que a própria gestão liga à demanda crescente de eletricidade da inteligência artificial.

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