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Ciência01 de set. de 2026, 11:20

Ex-fundadores da Starcloud querem mandar sonda a Alpha Centauri por US$ 15 mi

Grupo por trás da Fermi Explorer promete a missão interestelar 'mais barata possível', com lançamento previsto para 2029 e chegada só daqui a cerca de 80 mil anos. Um dos fundadores fala em testar o próprio 'Grande Filtro' que talvez explique por que nunca encontramos vida inteligente por aí.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Alpha Centauri fica a cerca de 4,37 anos-luz da Terra — o equivalente a mais ou menos 41 trilhões de quilômetros. A Voyager 1, lançada em 1977 e hoje o objeto humano mais distante, percorreu em quase 50 anos algo em torno de 26 bilhões de km. Ou seja: para chegar à estrela vizinha mais próxima do Sol, seria preciso viajar mais de mil vezes a distância que a Voyager já percorreu em meio século. É desse abismo que um grupo ligado à Starcloud, startup de data centers em órbita, decidiu não desviar o olhar.

O que está confirmado

A missão se chama Fermi Explorer e foi anunciada como organização sem fins lucrativos por três cofundadores da Starcloud — Philip Johnston, Adi Oltean e Ezra Feilden —, com Garret Jameson como gerente de programa, segundo reportagens do TechCrunch e da Ars Technica que cobriram o lançamento do projeto nesta segunda-feira (1º/9).

A proposta, segundo as duas publicações, é enviar uma sonda minúscula — payload de 10 cm² e cerca de 1 kg — usando tecnologia já testada: propulsão elétrica solar combinada a manobras gravitacionais ao redor da Terra e do Sol, sem apostar em vela solar nem em propulsão a laser. É uma escolha deliberada: os fundadores citam o fracasso do projeto Breakthrough Starshot — que apostava justamente em lasers e colapsou em 2025 — como contraponto.

O plano prevê cerca de 12 anos de propulsão ativa até a sonda atingir velocidade de escape, seguidos de uma fase de deslocamento inercial que os relatos estimam em cerca de 80 mil anos até o sistema estelar. O orçamento é anunciado como sendo de até US$ 15 milhões, via processo de licitação, com lançamento (por rideshare em foguete comercial) mirado para o fim de 2029. Se sair do papel, seria o primeiro objeto humano feito explicitamente para chegar a outra estrela — e o sexto a deixar o sistema solar.

O que é discurso e especulação

O nome do projeto remete ao Paradoxo de Fermi — a pergunta de Enrico Fermi sobre por que, havendo tantas estrelas, ainda não topamos com sinal de vida inteligente. Uma das explicações mais discutidas para esse silêncio é a hipótese do "Grande Filtro": a ideia de que civilizações esbarram em algum obstáculo — autodestruição, limite tecnológico, catástrofe — que as impede de se espalhar pela galáxia. É nesse território filosófico, não técnico, que a equipe da Fermi Explorer situa parte de sua motivação, segundo o material apurado pelos dois veículos.

Vale o contraponto: não há garantia de financiamento fechado, nem de que o cronograma de 2029 resista aos percalços usuais de projetos espaciais desse porte. E os 80 mil anos de viagem são, por definição, um horizonte que nenhum dos envolvidos vai testemunhar. Como resumiu um dos fundadores à imprensa, a aposta é decididamente de longuíssimo prazo: "seremos os primeiros a partir, e os últimos a chegar".

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